Cristiano Ronaldo já é um dos monstros sagrados da bola, mesmo antes de ter alcançado o auge de sua carreira. Só não está mais alto na cadeia alimentar por ter que dividir as luzes da ribalta com ninguém menos que Lionel Messi - da mesma forma que monstros sagrados d'antanho foram subvalorizados por coexistirem com o Pelé.
Anyway, o caso é que nem os monstros sagrados estão livres do escrutínio e dos humores dos deuses do futebol. E poucas coisas irritam mais os supracitados deuses do que isso aqui. É praticamente uma afronta direta, um xingar a mãe dos deuses.
Felizmente para o balanço do universo, esse tipo de coisa não fica impune por muito tempo...
* Crime lesa-divindade, em latim
sábado, 2 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Crônica de uma semifinal para a história
Cenário: O campeonato interno do C. A. Paulistano sempre teve 4 ou 5 times fortes e 3 ou 4 sacos de pancada. Esse ano, devido ao amadurecimento dos garotos que começaram ano passado (a Inter de Milão), à redistribuição de alguns jogadores e ao surgimento de um time fortíssimo de garotos sub-alguma-coisa (a Portuguesa), o campeonato mudou completamente de figura: são 7 times brigando ponto a ponto por 4 vagas, 1 time que vendeu caro a derrota em quase todos os jogos e somente 1 saco de pancadas. Para se ter uma idéia, ficaram de fora das semifinais o atual campeão (Manchester) e o novo time de galáticos (Galo).
Personagens: O meu time (Fenerbaçhe) era a quinta força dos campeonatos passados. Tínhamos um time excelente no papel, mas alguma coisa sempre dava errado em campo - nervosismo, key players indo mal, reclamações com o juiz, etc. Fato é que nós fomos carta fora do baralho nas discussões do título nos últimos três ou quatro campeonatos - até que chegou 2012.
Não sei dizer direito o que mudou - as profecias Maias, algum alinhamento interplanetário, forças ocultas manobrando para tomar o poder - mas esse ano nós passamos de zebras a contenders. O time ficou mais focado, parou de brigar entre si e com o juiz, os franchise players passaram a jogar o que deles se cobrava e as contratações (cirúrgicas, diga-se de passagem) renderam até mais do que se esperava. Enfim, fizemos um excelente primeiro turno, encaramos de igual para igual os principais times do campeonato e nos classificamos em 3º lugar para as semifinais - com a mesma pontuação do 2º, aliás, mas perdendo nos critérios de desempate.
O adversário foi esse tal 2º, a já citada Portuguesa. Um time formado predominantemente por garotos de alguma seleção de base do clube (sinceramente, não me arrisco a chutar a geração), com alguns reforços da velha guarda. Ah, e é importante frisar, um time muito forte.
Tão forte que não se limitou a dar trabalho aos so called 'grandes'. Disparou na ponta no início do campeonato (um pouco favorecido pela tabela, acredito) e se consolidou como uma das forças do torneio, sacramentando sua classificação para as semis com uma vitória sobre o Manchester - vitória, aliás, que eliminou os detentores do título desse primeiro turno.
Histórico: Fener e Lusa se enfrentaram em um momento nevrálgico da temporada para ambos. A Lusa liderava, mas ainda não tinha sido efetivamente testada. Ganhara dos times menores, dois deles perigosos até, mas jogos que qualquer um que quisesse brigar para classificar tinha que ganhar. Em suma, era um time promissor, mas que ainda despertava desconfiança. O Fener vinha de dois empates-com-sabor-de-derrota contra os grandes e duas vitórias contundentes contra os pequenos. Em suma, começava a sacudir o complexo de vira-lata para longe.
A Lusa venceu por 3x1, mas as circunstâncias do jogo permitiram ao Fener não sair desmoralizado - nesse jogo, eu machuquei aos 10 minutos, tomamos um gol contra, um em um penalti besta e outro no contra-ataque nos minutos finais, quando pressionávamos em busca do empate. Saldo final, Lusa se firmando entre os grandes e Fener com justificativas para não desanimar - embora essa derrota viesse a custar caro mais tarde.
Após esse embate, o Fener se recuperou e engatou duas vitórias seguidas - uma delas em uma verdadeira batalha contra o Manchester - e chegou na última rodada precisando de um empate para classificar. O adversário era o Galo, time que mais se reforçara na pré-temporada, mas que demorara para engrenar e chegava na última rodada precisando ganhar para não depender de uma derrota improvável do Grêmio, seu adversário direto na luta pela vaga.
Fener x Galo também foi um jogo épico, mas não é o foco dessa crônica. Basta dizer que o Galo, após muito insistir, conseguiu abrir o placar aos 38' do 2º tempo e que o Fener empatou aos 43'. Uma classificação milagrosa, na raça.
Como já foi dito, a Lusa se garantiu eliminando o Manchester e, na última rodada, acabou levando uma goleada do Atlético-PR, o eterno favorito, que assumira a ponta irrefutavelmente. Mas essa classificação heróica não foi nada perto dos problemas de bastidores da equipe.
Após a última partida da Lusa no 1º turno, surgiu uma denúncia - prontamente comprovada - de que a equipe teria usado um jogador irregular durante todo o campeonato. A denúncia foi apurada pela Secretaria de Esportes e o Comitê de Patronos decidiu manter a pontuação da Lusa no 1º turno, mas a puniu com a perda de 6 pontos no 2º turno. Não sei dos detalhes do caso, mas, pessoalmente, achei que ficou até barato. Pois não foi o que achou o patrono da Lusa, que se disse injustiçado e que seu time 'responderia na bola essa injustiça'. Aquele discurso blasé de 'contra tudo e contra todos' que se banalizou no futebol nos últimos tempos.
Prelúdio: De um lado, com 15 pontos em 8 jogos, a Lusa, equipe sensação do campeonato, que vinha com a faca nos dentes (futebolês para o termo 'motivada por uma self called injustiça'). Do outro, também com 15 pontos, mas perdendo no confronto direto, o Fener, equipe em franca recuperação e disposta a mostrar que a derrota do turno tinha sido circunstancial. Vale a vaga na final do 1º turno. Ah, sempre é bom lembrar que a equipe de melhor campanha (no caso, a Lusa) joga pelo empate no tempo normal. Ou seja, para o Fener é win or go home.
Ato I: Bola rolando, o Fener com a iniciativa, mantendo a posse de bola e estudando o adversário. 80 minutos (sim, os jogos são 40' por 40') eram mais do que suficientes para fazer o gol da classificação, não havia porque se afobar. Porém, na primeira chegada da Lusa ao ataque, saiu um escanteio. Na cobrança, um desvio fortuito no primeiro pau tirou toda a minha zaga do lance e apareceu um lusitano sozinho no 2º para fazer 1x0.
Assimilado o golpe, Fener volta a tocar a bola, mas já começam a espoucar os lançamentos longos (sinal claro de que o time está nervoso). Para piorar a situação, em uma saída de bola errada da zaga, um atacante chega na linha de fundo e cruza para trás para o outro, que chega batendo e faz 2x0. Não devia ter nem 20' de jogo.
Um dos 'veteranos' que compõem o grupo da Portuguesa é o Polonês (por razões óbvias, não vou nem tentar escrever o sobrenome dele). Ele é um centroavante dedicado, mais brigador do que técnico, mas que sempre guarda um golzinho em mim. No passado, era quase sempre um gol na raça - e de honra, já que ele jogava em um dos times fracos do campeonato.
Pois nesse ano, não foi bem assim. Lançaram uma bola a meia altura e ele deu um tapa por cima do meu zagueiro. Dizem as más línguas que ele errou o domínio - difícil dizer, uma vez que o resultado foi um chapéu que o Neymar podia assinar sem constrangimento - mas o fato é que esse movimento o deixou na cara do gol. Na minha cara. Eu fechei o ângulo e me preparei para tentar buscar uma pancada em um dos cantos, mas ele só deu um toque sutil, que me encobriu e morreu na redinha do lado. Um gol de craque - o que já desmoraliza um tanto quem toma - colocando 3x0 no placar. A gente precisava ganhar, lembra? A moral não podia ser pior no lado turco da semi. Fim do Ato I.
Ato II: Porém, comprovando sua mudança de atitude e (principalmente) de mentalidade, o Fener não abandonou o jogo. Em outros tempos, essa situação equivaleria a jogadores batendo boca entre si, expulsões bestas e uma goleada vexatória, capaz de desanimar para o resto do campeonato. Pois não foi o que se viu. O Fener começou a ser mais incisivo (mesmo que ainda abusasse dos lançamentos, consagrando o zagueiro adversário), a criar chances meio tímidas...e foi em um cruzamento despretencioso do Cardoso da esquerda que a bola desviou na zaga e foi parar no fundo das redes lusitanas. 3x1, still a mountain to climb.
Mal a Portuguesa deu a saída, o Moisés já recuperou a bola e lançou o Lippi. Que chutou cruzado. E, no rebote do goleiro, o Giuli apareceu para fazer 3x2. Será...?
Já nos acréscimos do 1º tempo, uma jogada espetacular do Cardoso, que girou no meio de três marcadores e fuzilou o goleiro: 3x3! Fim do 1º tempo. Um jogo aberto, mas com a vantagem psicológica para o Fener.
No início do 2º tempo, após pressionar um pouco, finalmente passamos à frente: Lippi se livrou da marcação dentro da área e sofreu o penalti. Tenho certeza que 99% dos presentes pensaram em Robben, Cech e os efeitos da pressão sobre os cobradores em penaltis decisivos. Mas não o Lippi, que só deslocou o goleiro para virar: 4x3 Fener!
Convenhamos que uma virada milagrosa e um gol antológico já seriam o bastante para incluir o jogo no panteão dos melhores da história do CAP. Porém, ainda tínhamos mais de metade do 2º tempo pela frente - e algumas surpresas também.
A partir daí, os papéis se inverteram. A Lusa passou a buscar mais o jogo, a atacar mais, mas deixava espaços na sua defesa para os contra-ataques do Fener. Danton, o goleiro da Lusa, fez uma ponte espetacular em um chue cruzado do Lippi e a zaga desviou um chute do Giuli que tinha endereço certo. O jogo estava bom para o Fener, mas a Lusa conseguia encaixar alguns jabs, principalmente em escanteios e laterais perto da área. Fim do Ato II.
Entreatos: Devíamos estar próximos aos 25' do 2º quando o lance que vai marcar esse jogo aconteceu. Sim, mesmo com gol antológico e virada espetacular, ainda tinha algo ímpar, algo raro para diferenciar esse jogo dos demais. Após um escanteio do Fener, a bola sobrou com o Caio na ponta direita. Como é tradicional em bolas nessa posição, o Caio driblou seu marcador para a esquerda e bateu. A bola entrou no gol vazio, pois Danton havia abandonado a meta para prestar auxílio (leia-se 'alongar') ao Moisés, meia do Fener que havia se machucado (leia-se 'tido câimbra') no escanteio. 5x3, o que constituia uma vantagem considerável tanto na prática quanto no lado psicológico da Portuguesa.
A equipe da Lusa ficou transtornada com a suposta falta de fair play, mas a verdade é que o Caio não tinha visto o que aconteceu na área - nem seu marcador, diga-se de passagem. Quando se esclareceu o ocorrido, o Fener decidiu devolver o gol à Lusa e o Lippi, fominha que só ele, foi o responsável pelo tento. 5x4, temos um jogo novamente.
Ato III: A partir daí, a Portuguesa passou a lutar pela sobrevivência e o Fener, para confirmar sua história de superação. A pressão lusitana nem era tão grande - eu peguei umas duas bolas boas, no máximo - mas o Fener já não tinha mais gás para contra-atacar como antes.
Quis o destino que a peleja ainda passasse por mais uma trágica inversão de papéis antes do seu final. Em um lateral próximo à área, a bola foi desviada por três defensores do Fener na sequência, sem que nenhum conseguisse afastar definitivamente o perigo, e acabou nos pés de um atacante lusitano no 2º pau. Ele dominou e bateu no meu contrapé, na redinha do lado. 5x5, com requintes de crueldade.
Ainda faltavam aproximadamente 10 minutos, mas nós já não tínhamos nem pernas, nem oxigênio no cérebro para tirar outro coelho da cartola. Mesmo assim, o Caio ainda obrigou o Danton a fazer um milagre em um chute no ângulo.
Após o fatídico apito final, uma festa portuguesa, com certeza. Um final triste e melancólico para o que foi o maior jogo já visto no Arthur Friedenreich - pelo menos para nós, claro. Fim do Ato III.
Conclusão: Apesar da tristeza por não estarmos na final, estou profundamente orgulhoso de fazer parte desse time. A garra que demonstramos para recuperar esse jogo perdido diz muito sobre o nosso caráter e sobre a nossa resiliência. Nós temos que chorar essa eliminação sim, nunca devemos sair felizes com uma derrota, mas não há motivo para desespero. Fener, nós saímos do 1º turno para entrar para a História.
E que o 2º turno nos aguarde...
Personagens: O meu time (Fenerbaçhe) era a quinta força dos campeonatos passados. Tínhamos um time excelente no papel, mas alguma coisa sempre dava errado em campo - nervosismo, key players indo mal, reclamações com o juiz, etc. Fato é que nós fomos carta fora do baralho nas discussões do título nos últimos três ou quatro campeonatos - até que chegou 2012.
Não sei dizer direito o que mudou - as profecias Maias, algum alinhamento interplanetário, forças ocultas manobrando para tomar o poder - mas esse ano nós passamos de zebras a contenders. O time ficou mais focado, parou de brigar entre si e com o juiz, os franchise players passaram a jogar o que deles se cobrava e as contratações (cirúrgicas, diga-se de passagem) renderam até mais do que se esperava. Enfim, fizemos um excelente primeiro turno, encaramos de igual para igual os principais times do campeonato e nos classificamos em 3º lugar para as semifinais - com a mesma pontuação do 2º, aliás, mas perdendo nos critérios de desempate.
O adversário foi esse tal 2º, a já citada Portuguesa. Um time formado predominantemente por garotos de alguma seleção de base do clube (sinceramente, não me arrisco a chutar a geração), com alguns reforços da velha guarda. Ah, e é importante frisar, um time muito forte.
Tão forte que não se limitou a dar trabalho aos so called 'grandes'. Disparou na ponta no início do campeonato (um pouco favorecido pela tabela, acredito) e se consolidou como uma das forças do torneio, sacramentando sua classificação para as semis com uma vitória sobre o Manchester - vitória, aliás, que eliminou os detentores do título desse primeiro turno.
Histórico: Fener e Lusa se enfrentaram em um momento nevrálgico da temporada para ambos. A Lusa liderava, mas ainda não tinha sido efetivamente testada. Ganhara dos times menores, dois deles perigosos até, mas jogos que qualquer um que quisesse brigar para classificar tinha que ganhar. Em suma, era um time promissor, mas que ainda despertava desconfiança. O Fener vinha de dois empates-com-sabor-de-derrota contra os grandes e duas vitórias contundentes contra os pequenos. Em suma, começava a sacudir o complexo de vira-lata para longe.
A Lusa venceu por 3x1, mas as circunstâncias do jogo permitiram ao Fener não sair desmoralizado - nesse jogo, eu machuquei aos 10 minutos, tomamos um gol contra, um em um penalti besta e outro no contra-ataque nos minutos finais, quando pressionávamos em busca do empate. Saldo final, Lusa se firmando entre os grandes e Fener com justificativas para não desanimar - embora essa derrota viesse a custar caro mais tarde.
Após esse embate, o Fener se recuperou e engatou duas vitórias seguidas - uma delas em uma verdadeira batalha contra o Manchester - e chegou na última rodada precisando de um empate para classificar. O adversário era o Galo, time que mais se reforçara na pré-temporada, mas que demorara para engrenar e chegava na última rodada precisando ganhar para não depender de uma derrota improvável do Grêmio, seu adversário direto na luta pela vaga.
Fener x Galo também foi um jogo épico, mas não é o foco dessa crônica. Basta dizer que o Galo, após muito insistir, conseguiu abrir o placar aos 38' do 2º tempo e que o Fener empatou aos 43'. Uma classificação milagrosa, na raça.
Como já foi dito, a Lusa se garantiu eliminando o Manchester e, na última rodada, acabou levando uma goleada do Atlético-PR, o eterno favorito, que assumira a ponta irrefutavelmente. Mas essa classificação heróica não foi nada perto dos problemas de bastidores da equipe.
Após a última partida da Lusa no 1º turno, surgiu uma denúncia - prontamente comprovada - de que a equipe teria usado um jogador irregular durante todo o campeonato. A denúncia foi apurada pela Secretaria de Esportes e o Comitê de Patronos decidiu manter a pontuação da Lusa no 1º turno, mas a puniu com a perda de 6 pontos no 2º turno. Não sei dos detalhes do caso, mas, pessoalmente, achei que ficou até barato. Pois não foi o que achou o patrono da Lusa, que se disse injustiçado e que seu time 'responderia na bola essa injustiça'. Aquele discurso blasé de 'contra tudo e contra todos' que se banalizou no futebol nos últimos tempos.
Prelúdio: De um lado, com 15 pontos em 8 jogos, a Lusa, equipe sensação do campeonato, que vinha com a faca nos dentes (futebolês para o termo 'motivada por uma self called injustiça'). Do outro, também com 15 pontos, mas perdendo no confronto direto, o Fener, equipe em franca recuperação e disposta a mostrar que a derrota do turno tinha sido circunstancial. Vale a vaga na final do 1º turno. Ah, sempre é bom lembrar que a equipe de melhor campanha (no caso, a Lusa) joga pelo empate no tempo normal. Ou seja, para o Fener é win or go home.
Ato I: Bola rolando, o Fener com a iniciativa, mantendo a posse de bola e estudando o adversário. 80 minutos (sim, os jogos são 40' por 40') eram mais do que suficientes para fazer o gol da classificação, não havia porque se afobar. Porém, na primeira chegada da Lusa ao ataque, saiu um escanteio. Na cobrança, um desvio fortuito no primeiro pau tirou toda a minha zaga do lance e apareceu um lusitano sozinho no 2º para fazer 1x0.
Assimilado o golpe, Fener volta a tocar a bola, mas já começam a espoucar os lançamentos longos (sinal claro de que o time está nervoso). Para piorar a situação, em uma saída de bola errada da zaga, um atacante chega na linha de fundo e cruza para trás para o outro, que chega batendo e faz 2x0. Não devia ter nem 20' de jogo.
Um dos 'veteranos' que compõem o grupo da Portuguesa é o Polonês (por razões óbvias, não vou nem tentar escrever o sobrenome dele). Ele é um centroavante dedicado, mais brigador do que técnico, mas que sempre guarda um golzinho em mim. No passado, era quase sempre um gol na raça - e de honra, já que ele jogava em um dos times fracos do campeonato.
Pois nesse ano, não foi bem assim. Lançaram uma bola a meia altura e ele deu um tapa por cima do meu zagueiro. Dizem as más línguas que ele errou o domínio - difícil dizer, uma vez que o resultado foi um chapéu que o Neymar podia assinar sem constrangimento - mas o fato é que esse movimento o deixou na cara do gol. Na minha cara. Eu fechei o ângulo e me preparei para tentar buscar uma pancada em um dos cantos, mas ele só deu um toque sutil, que me encobriu e morreu na redinha do lado. Um gol de craque - o que já desmoraliza um tanto quem toma - colocando 3x0 no placar. A gente precisava ganhar, lembra? A moral não podia ser pior no lado turco da semi. Fim do Ato I.
Ato II: Porém, comprovando sua mudança de atitude e (principalmente) de mentalidade, o Fener não abandonou o jogo. Em outros tempos, essa situação equivaleria a jogadores batendo boca entre si, expulsões bestas e uma goleada vexatória, capaz de desanimar para o resto do campeonato. Pois não foi o que se viu. O Fener começou a ser mais incisivo (mesmo que ainda abusasse dos lançamentos, consagrando o zagueiro adversário), a criar chances meio tímidas...e foi em um cruzamento despretencioso do Cardoso da esquerda que a bola desviou na zaga e foi parar no fundo das redes lusitanas. 3x1, still a mountain to climb.
Mal a Portuguesa deu a saída, o Moisés já recuperou a bola e lançou o Lippi. Que chutou cruzado. E, no rebote do goleiro, o Giuli apareceu para fazer 3x2. Será...?
Já nos acréscimos do 1º tempo, uma jogada espetacular do Cardoso, que girou no meio de três marcadores e fuzilou o goleiro: 3x3! Fim do 1º tempo. Um jogo aberto, mas com a vantagem psicológica para o Fener.
No início do 2º tempo, após pressionar um pouco, finalmente passamos à frente: Lippi se livrou da marcação dentro da área e sofreu o penalti. Tenho certeza que 99% dos presentes pensaram em Robben, Cech e os efeitos da pressão sobre os cobradores em penaltis decisivos. Mas não o Lippi, que só deslocou o goleiro para virar: 4x3 Fener!
Convenhamos que uma virada milagrosa e um gol antológico já seriam o bastante para incluir o jogo no panteão dos melhores da história do CAP. Porém, ainda tínhamos mais de metade do 2º tempo pela frente - e algumas surpresas também.
A partir daí, os papéis se inverteram. A Lusa passou a buscar mais o jogo, a atacar mais, mas deixava espaços na sua defesa para os contra-ataques do Fener. Danton, o goleiro da Lusa, fez uma ponte espetacular em um chue cruzado do Lippi e a zaga desviou um chute do Giuli que tinha endereço certo. O jogo estava bom para o Fener, mas a Lusa conseguia encaixar alguns jabs, principalmente em escanteios e laterais perto da área. Fim do Ato II.
Entreatos: Devíamos estar próximos aos 25' do 2º quando o lance que vai marcar esse jogo aconteceu. Sim, mesmo com gol antológico e virada espetacular, ainda tinha algo ímpar, algo raro para diferenciar esse jogo dos demais. Após um escanteio do Fener, a bola sobrou com o Caio na ponta direita. Como é tradicional em bolas nessa posição, o Caio driblou seu marcador para a esquerda e bateu. A bola entrou no gol vazio, pois Danton havia abandonado a meta para prestar auxílio (leia-se 'alongar') ao Moisés, meia do Fener que havia se machucado (leia-se 'tido câimbra') no escanteio. 5x3, o que constituia uma vantagem considerável tanto na prática quanto no lado psicológico da Portuguesa.
A equipe da Lusa ficou transtornada com a suposta falta de fair play, mas a verdade é que o Caio não tinha visto o que aconteceu na área - nem seu marcador, diga-se de passagem. Quando se esclareceu o ocorrido, o Fener decidiu devolver o gol à Lusa e o Lippi, fominha que só ele, foi o responsável pelo tento. 5x4, temos um jogo novamente.
Ato III: A partir daí, a Portuguesa passou a lutar pela sobrevivência e o Fener, para confirmar sua história de superação. A pressão lusitana nem era tão grande - eu peguei umas duas bolas boas, no máximo - mas o Fener já não tinha mais gás para contra-atacar como antes.
Quis o destino que a peleja ainda passasse por mais uma trágica inversão de papéis antes do seu final. Em um lateral próximo à área, a bola foi desviada por três defensores do Fener na sequência, sem que nenhum conseguisse afastar definitivamente o perigo, e acabou nos pés de um atacante lusitano no 2º pau. Ele dominou e bateu no meu contrapé, na redinha do lado. 5x5, com requintes de crueldade.
Ainda faltavam aproximadamente 10 minutos, mas nós já não tínhamos nem pernas, nem oxigênio no cérebro para tirar outro coelho da cartola. Mesmo assim, o Caio ainda obrigou o Danton a fazer um milagre em um chute no ângulo.
Após o fatídico apito final, uma festa portuguesa, com certeza. Um final triste e melancólico para o que foi o maior jogo já visto no Arthur Friedenreich - pelo menos para nós, claro. Fim do Ato III.
Conclusão: Apesar da tristeza por não estarmos na final, estou profundamente orgulhoso de fazer parte desse time. A garra que demonstramos para recuperar esse jogo perdido diz muito sobre o nosso caráter e sobre a nossa resiliência. Nós temos que chorar essa eliminação sim, nunca devemos sair felizes com uma derrota, mas não há motivo para desespero. Fener, nós saímos do 1º turno para entrar para a História.
E que o 2º turno nos aguarde...
domingo, 6 de maio de 2012
Pitacos avulsos
Fazendo uma análise relâmpago de Guarani 0x3 Santos (vendo só os gols, diga-se de passagem), tive um insight: essa pressão toda para o Neymar ir para a Europa não se justifica. Aqui no Brasil ele está evoluindo a olhos vistos, fazendo algo novo a cada jogo, com tão poucos buracos em seu repertório que seus detratores são obrigados a apelar para uma suposta tendência ao cai-caísmo do garoto (confesso que concordo com eles, os detratores, mas só quando o Neymar enfrenta o São Paulo).
Já o Ganso é outra história. Extremamente talentoso e cerebral, mas ainda com falhas de fundamento semi-básicas - o pé direito dele, por exemplo, não deve servir nem para subir no ônibus. Hoje, no 2º gol ele só não entrou de bola e tudo porque fugiu do domínio com o pé ruim. Esse é o tipo de coisa que se deixa passar no Brasil, em nome do talento, da extrema aptidão que o craque tem em outras funções do jogo. Na Europa, ele ficaria todo dia depois do treino praticando o pé ruim.
Não é que os europeus são melhores que nós, longe disso, mas que culturalmente eles se preocupam mais com os fundamentos do que a gente - com as honrosas exceções de praxe: Telê fazia o Cafu treinar cruzamento todo dia e ele nunca teve uma média de acertos tão boa quanto a do começo da carreira, no São Paulo.
Em síntese, acho que o Neymar está com a carreira no caminho certo (apesar do seu empresário), mas que o Ganso (e a seleção brasileira) se beneficiaria muito de uma transferência para a Europa agora, quando seu jogo ainda pode ser moldado.
Já o Ganso é outra história. Extremamente talentoso e cerebral, mas ainda com falhas de fundamento semi-básicas - o pé direito dele, por exemplo, não deve servir nem para subir no ônibus. Hoje, no 2º gol ele só não entrou de bola e tudo porque fugiu do domínio com o pé ruim. Esse é o tipo de coisa que se deixa passar no Brasil, em nome do talento, da extrema aptidão que o craque tem em outras funções do jogo. Na Europa, ele ficaria todo dia depois do treino praticando o pé ruim.
Não é que os europeus são melhores que nós, longe disso, mas que culturalmente eles se preocupam mais com os fundamentos do que a gente - com as honrosas exceções de praxe: Telê fazia o Cafu treinar cruzamento todo dia e ele nunca teve uma média de acertos tão boa quanto a do começo da carreira, no São Paulo.
Em síntese, acho que o Neymar está com a carreira no caminho certo (apesar do seu empresário), mas que o Ganso (e a seleção brasileira) se beneficiaria muito de uma transferência para a Europa agora, quando seu jogo ainda pode ser moldado.
terça-feira, 13 de março de 2012
Mão Trocada
E não é que Lionel Messi, o ser mais poderoso do Lado Negro da Força (aquele que inclui os atacantes em geral e os do time adversário em particular), resolveu fazer um bico como Jedi num treino?
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| Evolução natural da carreira |
Apesar do louvável esforço diplomático (mesmo depois de trucidar o alemão Bernd Leno aqui), sou obrigado a apontar para La Pulga que bolas altas devem ser defendidas com a mão trocada. Essa bola seria muito mais fácil de alcançar com a mão esquerda.
Mas, para que o Messi não se sinta desprestigiado por isso, vale dizer que uma defesa 'errada' é sempre pereferível a um gol tomado com o movimento 'certo'. Por exemplo, a defesa mais famosa da carreira do Rogério Ceni foi feita com a 'mão errada'.
![]() |
| Quase, né, Gerrard? |
Mais do que facilitar as defesas, os movimentos 'certos' servem para possibilitar a defesa em situações onde a única outra alternativa seria o gol - que, convenhamos, é mais catástrofe que alternativa. Nos exemplos acima, a 'mão errada' serviu muito bem para o Rogério e o Messi, mas ela dificilmente serviria para o Stekelenburg na última Copa, naquele chute por cobertura do Kaká.
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| Se essa entra, nem o Felipe Melo estragaria... |
Como também não serviu para o Julio César no 100º gol do Rogério.
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| Se fosse com a mão certa, nem teria que discutir se é 98º ou 100º... |
A mão trocada é um recurso extremamente útil para qualquer bola alta, acima da linha do pescoço do goleiro, uma vez que amplia o alcance da defesa. Em muitos casos, ela é o único recurso. Isso é fácil de comprovar, nem precisa de bola ou gol: incline seu tronco lateralmente, como se estivesse fazendo uma defesa. Agora, imagine que tem uma bola acima da sua cabeça e tente alcançá-la com uma mão de cada vez. Qual mão chegou mais alto, a 'certa' (de baixo) ou a 'trocada' (de cima)?
Entretanto, sua aplicação não é simples, especialmente em bolas do lado da mão forte (direito para os destros, esquerdo para os canhotos), já que o movimento intuitivo é ir com ela na bola. Fazer uma defesa de mão trocada requer elasticidade e, principalmente, domínio dos fundamentos da função - não é para qualquer um que calce as luvas e vá para o gol.
O caminho é longo e o trabalho é árduo, mas poucas coisas no futebol são tão recompensadoras quanto uma defesa de mão trocada com a ponta dos dedos, daquelas em que o atacante já sai arrogantemente para comemorar antes mesmo da bola entrar. Dá uma sensação de ter feito o impossível, de ter trapaceado o destino e as leis da física - mais ou menos como o Messi deve se sentir a cada jogo.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Brasileirão como le gusta
Não me lembro na história do futebol mundial de um campeonato tão acirrado quanto o Brasileirão desse ano. Normalmente, os campeonatos mais disputados, aqueles que marcam época, tem no máximo três times na briga no fim das contas. Pois bem, nós já estamos na reta final (faltam menos de 25% dos jogos por fazer) e ainda temos SETE aspirantes reais ao título.
Serão nove confrontos diretos entre eles, nove finais, nove jogos de parar a cidade - e isso sem contar os clássicos tradicionais e toda a luta contra o rebaixamento. Tem muito campeonato que não tem 9 jogos que gerem expectativa em toda a sua duração e nós vamos tê-los só no último quarto do Brasileirão. Enfim, o campeonato está exatamente como eu gosto, um tapa na cara de quem reclama da falta de emoção dos pontos corridos. E o melhor de tudo, o São Paulo ainda está na briga pelo título! #vaitricolor
Bom, como futurologia é uma arte ao alcance de todos, resolvi fazer umas simulações básicas dessas últimas rodadas para já me preparar psicologicamente. Para o pior, no caso, já que quase todos os cenários que eu simulei deram, em CNTP, Corinthians ou Botafogo no topo. E confesso que após uma avaliação fora de CNTP, meu maior medo é do Bota. Mas vamos às análises:
TABELA
- O Corinthians tem apenas um jogo do título (confronto direto). Pega Cruzeiro e Inter fora, deve (leia-se 'bem que podia') fazer no máximo 1 ponto. Depois, Ceará e Figueirense fora, além do clássico na última rodada. Acho que perde a ponta antes do fim do mês.
- O Vasco tem muita pedreira pelo caminho - 3 clássicos (que, no caso, são também jogos do título), o Bahia em Pituaçu e o São Paulo lá no Rio. É quem mais tem jogos de título, com quatro ao todo.
- O Botafogo tem 5 rodadas ganháveis antes do clássico contra o Vasco - incluindo aí o Santos na 4ª que vem – e depois recebe o Inter – que pode já não ter mais ânimo. O bom é que eles tem 2 jogos difíceis nas últimas rodadas – Atlético-MG brigando pra não cair lá em Minas e Fluminense. Ou seja, minha torcida é para ele perder ponto nessa sequência inicial – Atlético-PR (casa), Santos (fora), Avaí (fora), Cruzeiro (casa) e Figueirense (casa). Se perder do Santos, por exemplo, já dá uma boa freada no ímpeto. Tem três jogos do título.
- O São Paulo tem o problema de jogar melhor fora do que em casa, fica difícil analisar. Nossos piores jogos são Vasco, Furacão e Bahia, todos fora, além de Palmeiras (também fora) e Santos nas duas últimas. Ou seja, se mantivermos o aproveitamento fora de casa, estamos no páreo. Temos apenas um jogo do título, o que dá um frio na espinha.
- O Flamengo já deve perder o fôlego nessa rodada, contra o Ceará lá. Tem ainda Grêmio e Coritiba fora, além do Inter em casa e do Vasco na última rodada. Acho difícil chegar no final brigando, mas se negociar bem a ultrapassagem nos três não-jogos-do-título mais complicados, até tem chance. Tem dois jogos do título, no total.
- O Fluminense tem Ceará, Inter e Figueira fora, além de dois clássicos. Na minha opinião, é o que tem a tabela mais complicada, com jogos traiçoeiros mesmo quando não são confrontos diretos. Tem três jogos do título.
- O Inter pode ser o fiel da balança, desde que mantenha a motivação. Se ganha do Avaí esse fim de semana, vai receber o Corinthians empolgado e, depois, Fluminense, Flamengo e Botafogo. Também tem quatro jogos do título e é meu favorito para roubar pontos dos concorrentes.
CENÁRIO IDEAL - ANÁLISE JOGO-A-JOGO
(entre parênteses, o total de pontos ganhos pelo time a cada rodada)
- SÃO PAULO: temos Atlético-GO lá (3 pts), Coxa aqui (6 pts), Vasco lá (nosso único jogo do título, temos que ganhar – 9 pts), Bahia lá (complicado, acho que só empata – 10 pts), Avaí aqui (13 pts), Furacão lá (se nunca conseguimos ganhar lá, não vai ser agora – 13 pts), América-MG aqui (16 pts), Palmeiras lá (19 pts) e Santos aqui (22 pts). Devemos fechar com 70 pontos, ganhando nosso jogo do título.
- BOTAFOGO: pega Furacão em casa (3 pts), Santos fora (4 pts), Avaí fora (7 pts), Cruzeiro em casa (10 pts), Figueira em casa (13 pts – aqui, nós teríamos 10, ou seja, 4 a menos no total), Vasco fora (1º jogo do título deles – 13 pts), América-MG fora (16 pts), Inter em casa (2º jogo do título deles – 17 pts – a gente tem 16, 2 a menos no total), Atlético-MG fora (17 pts – a vingança do Cuca – nós fazemos 19 e assumimos a ponta) e Fluminense em casa (3º jogo do título deles – 20 pts). Fecha com 69 pontos, perde um e empata um jogo do título.
- VASCO: tem Atlético-MG em casa (3 pts), Bahia fora (complicado – 3 pts), a gente em casa (1º jogo do título deles – 3 pts), Santos fora (muito próximo do Mundial – 6 pts), Botafogo em casa (2º jogo do título deles – 9 pts), Palmeiras fora (12 pts – o Bota tem 16, nós temos 13 e o Corinthians 10), Avaí em casa (15 pts), Fluminense fora (3º jogo do título deles – 15 pts) e Flamengo em casa (4º jogo do título deles – 18 pts). Fecha com 69 pontos, perde 2 dos 4 jogos do título.
- CORINTHIANS: tem Cruzeiro lá (0 pts), Inter lá (único jogo do título deles – 0 pts), Avaí aqui (3 pts), América-MG lá (6 pts), Furacão aqui (9 pts – aqui nós e o Bota temos 13, ambos na frente deles), Ceará lá (10 pts), Atlético-MG aqui (13 pts), Figueira lá (14 pts) e Palmeiras aqui (17 pts). Fecha com 68 pontos, perdendo o jogo do título.
- FLUMINENSE: tem Palmeiras fora (3 pts), Atlético-MG fora (4 pts), Ceará fora (7 pts), Inter fora (1º jogo do título deles – 7 pts), América-MG em casa (10 pts), Grêmio em casa (13 pts), Figueira fora (16 pts), Vasco em casa (2º jogo do título deles – 19 pts) e Botafogo fora (3º jogo do título deles – 19 pts). Fecha com 66 pontos, perdendo 2 e ganhando um jogo do título.
- INTER: tem Avaí em casa (3 pts), Corinthians em casa (1º jogo do título deles – 6 pts), Atlético-GO fora (9 pts), Fluminense em casa (2º jogo do título deles – 12 pts), Cruzeiro fora (12 pts), Bahia em casa (15 pts), Botafogo fora (3º jogo do título deles – 16 pts), Flamengo fora (4º jogo do título deles – 17 pts) e Grêmio em casa (20 pts). Fecha com 64 pontos, ganhando 2 e empatando 2 jogo do título.
- FLAMENGO: tem Ceará fora (1 pt), Santos em casa (4 pts), Grêmio fora (5 pts), Cruzeiro em casa (8 pts), Coxa fora (8 pts), Figueira em casa (11 pts), Atlético-GO fora (14 pts), Inter em casa (1º jogo do título deles – 15 pts) e Vasco fora (2º jogo do título deles – 15 pts). Fecha com 63 pontos, empatando um e perdendo um jogo do título.
Nesse cenário, chegaríamos na penúltima rodada com 6 pontos de diferença entre os sete times - ou seja, chances matemáticas para todos - sendo que dois pontos separariam o 1º do 4º. Na última rodada, teríamos um ponto separando o 1º do 4º e dois pontos do 1º para o 5º. Quer coisa melhor?
Serão nove confrontos diretos entre eles, nove finais, nove jogos de parar a cidade - e isso sem contar os clássicos tradicionais e toda a luta contra o rebaixamento. Tem muito campeonato que não tem 9 jogos que gerem expectativa em toda a sua duração e nós vamos tê-los só no último quarto do Brasileirão. Enfim, o campeonato está exatamente como eu gosto, um tapa na cara de quem reclama da falta de emoção dos pontos corridos. E o melhor de tudo, o São Paulo ainda está na briga pelo título! #vaitricolor
Bom, como futurologia é uma arte ao alcance de todos, resolvi fazer umas simulações básicas dessas últimas rodadas para já me preparar psicologicamente. Para o pior, no caso, já que quase todos os cenários que eu simulei deram, em CNTP, Corinthians ou Botafogo no topo. E confesso que após uma avaliação fora de CNTP, meu maior medo é do Bota. Mas vamos às análises:
TABELA
- O Corinthians tem apenas um jogo do título (confronto direto). Pega Cruzeiro e Inter fora, deve (leia-se 'bem que podia') fazer no máximo 1 ponto. Depois, Ceará e Figueirense fora, além do clássico na última rodada. Acho que perde a ponta antes do fim do mês.
- O Vasco tem muita pedreira pelo caminho - 3 clássicos (que, no caso, são também jogos do título), o Bahia em Pituaçu e o São Paulo lá no Rio. É quem mais tem jogos de título, com quatro ao todo.
- O Botafogo tem 5 rodadas ganháveis antes do clássico contra o Vasco - incluindo aí o Santos na 4ª que vem – e depois recebe o Inter – que pode já não ter mais ânimo. O bom é que eles tem 2 jogos difíceis nas últimas rodadas – Atlético-MG brigando pra não cair lá em Minas e Fluminense. Ou seja, minha torcida é para ele perder ponto nessa sequência inicial – Atlético-PR (casa), Santos (fora), Avaí (fora), Cruzeiro (casa) e Figueirense (casa). Se perder do Santos, por exemplo, já dá uma boa freada no ímpeto. Tem três jogos do título.
- O São Paulo tem o problema de jogar melhor fora do que em casa, fica difícil analisar. Nossos piores jogos são Vasco, Furacão e Bahia, todos fora, além de Palmeiras (também fora) e Santos nas duas últimas. Ou seja, se mantivermos o aproveitamento fora de casa, estamos no páreo. Temos apenas um jogo do título, o que dá um frio na espinha.
- O Flamengo já deve perder o fôlego nessa rodada, contra o Ceará lá. Tem ainda Grêmio e Coritiba fora, além do Inter em casa e do Vasco na última rodada. Acho difícil chegar no final brigando, mas se negociar bem a ultrapassagem nos três não-jogos-do-título mais complicados, até tem chance. Tem dois jogos do título, no total.
- O Fluminense tem Ceará, Inter e Figueira fora, além de dois clássicos. Na minha opinião, é o que tem a tabela mais complicada, com jogos traiçoeiros mesmo quando não são confrontos diretos. Tem três jogos do título.
- O Inter pode ser o fiel da balança, desde que mantenha a motivação. Se ganha do Avaí esse fim de semana, vai receber o Corinthians empolgado e, depois, Fluminense, Flamengo e Botafogo. Também tem quatro jogos do título e é meu favorito para roubar pontos dos concorrentes.
CENÁRIO IDEAL - ANÁLISE JOGO-A-JOGO
(entre parênteses, o total de pontos ganhos pelo time a cada rodada)
- SÃO PAULO: temos Atlético-GO lá (3 pts), Coxa aqui (6 pts), Vasco lá (nosso único jogo do título, temos que ganhar – 9 pts), Bahia lá (complicado, acho que só empata – 10 pts), Avaí aqui (13 pts), Furacão lá (se nunca conseguimos ganhar lá, não vai ser agora – 13 pts), América-MG aqui (16 pts), Palmeiras lá (19 pts) e Santos aqui (22 pts). Devemos fechar com 70 pontos, ganhando nosso jogo do título.
- BOTAFOGO: pega Furacão em casa (3 pts), Santos fora (4 pts), Avaí fora (7 pts), Cruzeiro em casa (10 pts), Figueira em casa (13 pts – aqui, nós teríamos 10, ou seja, 4 a menos no total), Vasco fora (1º jogo do título deles – 13 pts), América-MG fora (16 pts), Inter em casa (2º jogo do título deles – 17 pts – a gente tem 16, 2 a menos no total), Atlético-MG fora (17 pts – a vingança do Cuca – nós fazemos 19 e assumimos a ponta) e Fluminense em casa (3º jogo do título deles – 20 pts). Fecha com 69 pontos, perde um e empata um jogo do título.
- VASCO: tem Atlético-MG em casa (3 pts), Bahia fora (complicado – 3 pts), a gente em casa (1º jogo do título deles – 3 pts), Santos fora (muito próximo do Mundial – 6 pts), Botafogo em casa (2º jogo do título deles – 9 pts), Palmeiras fora (12 pts – o Bota tem 16, nós temos 13 e o Corinthians 10), Avaí em casa (15 pts), Fluminense fora (3º jogo do título deles – 15 pts) e Flamengo em casa (4º jogo do título deles – 18 pts). Fecha com 69 pontos, perde 2 dos 4 jogos do título.
- CORINTHIANS: tem Cruzeiro lá (0 pts), Inter lá (único jogo do título deles – 0 pts), Avaí aqui (3 pts), América-MG lá (6 pts), Furacão aqui (9 pts – aqui nós e o Bota temos 13, ambos na frente deles), Ceará lá (10 pts), Atlético-MG aqui (13 pts), Figueira lá (14 pts) e Palmeiras aqui (17 pts). Fecha com 68 pontos, perdendo o jogo do título.
- FLUMINENSE: tem Palmeiras fora (3 pts), Atlético-MG fora (4 pts), Ceará fora (7 pts), Inter fora (1º jogo do título deles – 7 pts), América-MG em casa (10 pts), Grêmio em casa (13 pts), Figueira fora (16 pts), Vasco em casa (2º jogo do título deles – 19 pts) e Botafogo fora (3º jogo do título deles – 19 pts). Fecha com 66 pontos, perdendo 2 e ganhando um jogo do título.
- INTER: tem Avaí em casa (3 pts), Corinthians em casa (1º jogo do título deles – 6 pts), Atlético-GO fora (9 pts), Fluminense em casa (2º jogo do título deles – 12 pts), Cruzeiro fora (12 pts), Bahia em casa (15 pts), Botafogo fora (3º jogo do título deles – 16 pts), Flamengo fora (4º jogo do título deles – 17 pts) e Grêmio em casa (20 pts). Fecha com 64 pontos, ganhando 2 e empatando 2 jogo do título.
- FLAMENGO: tem Ceará fora (1 pt), Santos em casa (4 pts), Grêmio fora (5 pts), Cruzeiro em casa (8 pts), Coxa fora (8 pts), Figueira em casa (11 pts), Atlético-GO fora (14 pts), Inter em casa (1º jogo do título deles – 15 pts) e Vasco fora (2º jogo do título deles – 15 pts). Fecha com 63 pontos, empatando um e perdendo um jogo do título.
Nesse cenário, chegaríamos na penúltima rodada com 6 pontos de diferença entre os sete times - ou seja, chances matemáticas para todos - sendo que dois pontos separariam o 1º do 4º. Na última rodada, teríamos um ponto separando o 1º do 4º e dois pontos do 1º para o 5º. Quer coisa melhor?
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Pitacos sobre o retorno
- Fui ao Morumbi de tala, tomei uma baita chuva, tive que ouvir torcedor corneta desde os 5’ do 1º tempo e ainda perdemos para um time com Felipe, Renato Abreu e Luxemburgo!
- Se não fosse o Luis Fabiano, eu nunca iria num jogo com tanto potencial para estragar meu humor. E dei tanto azar que até os pontos positivos do SPFC foram extremamente irritantes, como o Dagoberto comemorando o gol como se fosse o do título do Mundial na morte súbita. Ou o Rogério fazendo 3 milagres e a zaga continuar torcendo a cada cruzamento na área.
- Também tinha esquecido como nossa torcida é corneteira. Primeira jogada que o Wellington errou, começou o corinho de ‘Rivaldo’. O time só teve apoio real da arquibancada nos primeiros 15 minutos, até a bola-na-trave-impedido, depois foi só pressão e vaia. E na cativa foi ainda pior, com uma quantidade industrial de gente que usa o jogo como terapia.
- Achei incrível como o Denilson, no estádio, é muito melhor que na TV. Ele foi um monstro, antecipou todas as bolas, estava sempre no lugar certo pra fazer a cobertura. Com ele no meio, dá até para ter o Casemiro, que tem marcado igual ao Dagoberto, dando bote e desistindo quando é driblado.
- E por falar em Dagoberto, como é burro! Além da comemoração exagerada, que valeu um amarelo, ainda fez uma falta pra cartão logo na saída do jogo! Tão burro quanto o Lucas!
- Quanto ao Luis Fabiano, acho que o que falta é ritmo de jogo - e isso só se ganha jogando de verdade, jogo contra o sub17 não conta.
- Tomar família dos cariocas em casa é muito ruim, mas tão ruim quanto é ver a cabecinha que o SPFC tá desenvolvendo. Na hora das faltas do Rogério, o Adilson ficou gritando com o gandula pra roubar a bola do lado do gol do Felipe para não ter saída rápida! O Junior Cesar mandou a bola para fora pra ser atendido e nós não devolvemos, na maior cara de pau! Só faltava ter arrumado briga no fim do jogo pra virar várzea de vez.
- Ah, além de corneta, nossa torcida é burra! Sai gol do Vasco contra o Corinthians, os caras comemoram! Preferem perder o título, desde que o rival perca também? O Ronaldinho estava morto em campo, não dando nem um mísero drible, e começam a provocar o cara. Deixa ele morto, vai cutucar justo ele? Sem falar que a birra com o Adilson fez o Luis Fabiano sair embaixo de vaia – na hora, pensei que a única alternativa do Adilson para substituir sem vaia era pôr o Rivaldo ou tirar o Luis Fabiano. Enganei-me redondamente.
- Se não fosse o Luis Fabiano, eu nunca iria num jogo com tanto potencial para estragar meu humor. E dei tanto azar que até os pontos positivos do SPFC foram extremamente irritantes, como o Dagoberto comemorando o gol como se fosse o do título do Mundial na morte súbita. Ou o Rogério fazendo 3 milagres e a zaga continuar torcendo a cada cruzamento na área.
- Também tinha esquecido como nossa torcida é corneteira. Primeira jogada que o Wellington errou, começou o corinho de ‘Rivaldo’. O time só teve apoio real da arquibancada nos primeiros 15 minutos, até a bola-na-trave-impedido, depois foi só pressão e vaia. E na cativa foi ainda pior, com uma quantidade industrial de gente que usa o jogo como terapia.
- Achei incrível como o Denilson, no estádio, é muito melhor que na TV. Ele foi um monstro, antecipou todas as bolas, estava sempre no lugar certo pra fazer a cobertura. Com ele no meio, dá até para ter o Casemiro, que tem marcado igual ao Dagoberto, dando bote e desistindo quando é driblado.
- E por falar em Dagoberto, como é burro! Além da comemoração exagerada, que valeu um amarelo, ainda fez uma falta pra cartão logo na saída do jogo! Tão burro quanto o Lucas!
- Quanto ao Luis Fabiano, acho que o que falta é ritmo de jogo - e isso só se ganha jogando de verdade, jogo contra o sub17 não conta.
- Tomar família dos cariocas em casa é muito ruim, mas tão ruim quanto é ver a cabecinha que o SPFC tá desenvolvendo. Na hora das faltas do Rogério, o Adilson ficou gritando com o gandula pra roubar a bola do lado do gol do Felipe para não ter saída rápida! O Junior Cesar mandou a bola para fora pra ser atendido e nós não devolvemos, na maior cara de pau! Só faltava ter arrumado briga no fim do jogo pra virar várzea de vez.
- Ah, além de corneta, nossa torcida é burra! Sai gol do Vasco contra o Corinthians, os caras comemoram! Preferem perder o título, desde que o rival perca também? O Ronaldinho estava morto em campo, não dando nem um mísero drible, e começam a provocar o cara. Deixa ele morto, vai cutucar justo ele? Sem falar que a birra com o Adilson fez o Luis Fabiano sair embaixo de vaia – na hora, pensei que a única alternativa do Adilson para substituir sem vaia era pôr o Rivaldo ou tirar o Luis Fabiano. Enganei-me redondamente.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Curtas da Lui
- Estamos em pleno processo de desfraldamento. Às vezes, quando escapa um xixi especialmente calamitoso (por exemplo, quando a Lui está sentada no colo da mamãe), nós perdemos a esportiva e brigamos com ela. Um dia, ela fez xixi no banho e a mamãe disse que não tinha problema, que no banho, no peniquinho e na privadinha podia fazer. Ela ainda perguntou para confirmar "Não tem problema?" e a mamãe decretou, "Não, não tem problema."
Algum tempo depois, após um almoço em casa, ela foi escovar os dentes com o papai. Ela fechou a tampa da privada, subiu, pegou a escova que o papai deu e ficou escovando os dentes. De repente, virou apra mim e disse "Não tem problema, né?". Eu, inocente, perguntei "O que não tem problema, Lui?". Ela só repetiu o "Não tem problema, né?" (o né no final é mais uma afirmação, uma coação para você concordar com ela que uma pergunta) e fez o xixi. Na privadinha, como o papai e a mamãe queriam. Ninguém falou nada de levantar a tampa, ora bolas.
- Ligo para casa e a Lui pede para falar comigo. Já não é mais aquela conversa tímida, a menina já tá 100% entrosada com o telefone. Pra começar, vem com um "Oi, papai!". A gente conversa um pouco e eu pergunto se ela vai me dar beijos e abraços quando eu chegar em casa. A resposta, em tom de quem explica o óbvio, é um "Calo, papai!".
- Madrugada de domingo para segunda, a Lui começa a chorar. Papai vai lá, faz carinho, diz que tá tudo bem. Ela diz "Qué carro! Qué McQueen!". Eu ponho devolvo a chupeta, ela vira para o lado e dorme de novo.
- Ela inventou um barulho para quando não sabe a resposta para alguma coisa: é "clu-clu-clu".
- Ela coleciona o álbum Galeria Disney e o Princesas para Sempre. E sabe qual é o nome daquela figurinha que saiu no pacotinho, mas você já tem colada? Repitiba.
Algum tempo depois, após um almoço em casa, ela foi escovar os dentes com o papai. Ela fechou a tampa da privada, subiu, pegou a escova que o papai deu e ficou escovando os dentes. De repente, virou apra mim e disse "Não tem problema, né?". Eu, inocente, perguntei "O que não tem problema, Lui?". Ela só repetiu o "Não tem problema, né?" (o né no final é mais uma afirmação, uma coação para você concordar com ela que uma pergunta) e fez o xixi. Na privadinha, como o papai e a mamãe queriam. Ninguém falou nada de levantar a tampa, ora bolas.
- Ligo para casa e a Lui pede para falar comigo. Já não é mais aquela conversa tímida, a menina já tá 100% entrosada com o telefone. Pra começar, vem com um "Oi, papai!". A gente conversa um pouco e eu pergunto se ela vai me dar beijos e abraços quando eu chegar em casa. A resposta, em tom de quem explica o óbvio, é um "Calo, papai!".
- Madrugada de domingo para segunda, a Lui começa a chorar. Papai vai lá, faz carinho, diz que tá tudo bem. Ela diz "Qué carro! Qué McQueen!". Eu ponho devolvo a chupeta, ela vira para o lado e dorme de novo.
- Ela inventou um barulho para quando não sabe a resposta para alguma coisa: é "clu-clu-clu".
- Ela coleciona o álbum Galeria Disney e o Princesas para Sempre. E sabe qual é o nome daquela figurinha que saiu no pacotinho, mas você já tem colada? Repitiba.
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