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segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Ganso o que é de Ganso

No começo dos anos 2000, o SPFC teve  um meia de características parecidas com o Ganso: o Adriano, que apareceu como uma baita promessa na base, mas nunca foi tudo o que parecia que podia ser. Habilidoso, cerebral, batia bem na bola, mas também era lento e não marcava quase nada.

Aqueles foram os anos mais negros que os são-paulinos da minha geração viveram. Seca de títulos, 10 anos sem Libertadores, freguesia para o Corinthians (detalhe relevante: sem rebaixamento ou mesmo briga contra ele. As crises de alguns são piores que a de outros). Foram anos que queimaram grandes jogadores (Leonardo, LFabiano, França) e promessas (Julio Batista, Fabio Simplício), em que gravitávamos constantemente entre o 6º e o 12º lugar do Brasileiro.

Pois em 2001 a coisa parecia que ia ser diferente. Tínhamos um dos melhores centroavantes da história do clube (França), um garoto com faro de gol (LF), um craque vindo da base (Kaká) e um elenco de suporte pra lá de razoável (Julio Batista, Fabio Simplício, Gustavo Nery, Belletti, Carlos Miguel, Maldonado, Emerson, o próprio Adriano). Todos na mão do fatídico Nelsinho Batista, que apesar das polêmicas e dos fartos 1-7 na carreira, até que montava um time azeitado. Ganhamos o Rio-SP daquele ano, o que era um belo aperitivo, e apresentamos o Kaká para o mundo (nessa época, ainda como Cacá). Chegamos em 7º no Brasileirão e caímos no mata-mata para o futuro campeão Atlético-PR, num jogo em que as pancadas de Cocito ofuscaram o melhor Furacão da história.

Pois bem, esse time do São Paulo o Nelsinho azeitou de vez ao puxar o Adriano para o meio dos volantes. Ao invés de deixá-lo mais avançado, como um meia tradicional, onde era presa fácil para os volantes adversários, Nelsinho o trouxe para armar de trás, entre Maldonado e Julio Batista, acionando um ataque letal, com Kaká, França e Luis Fabiano. Adriano não era visado como Ganso, não atraía tanta marcação, por isso tinha espaço para armar quando recuava. Dificilmente alguém vai dar essa liberdade para o Ganso, mas esse é mais um motivo para a estratégia funcionar melhor agora do que em 2001. Se o volante vier atrás do Ganso no meio de campo, vai abrir espaços para Pato, MBastos, Kardec e/ou LFabiano. Se não vier, Ganso vai ter a liberdade e o tempo necessário para buscar o espaço na defesa adversária – coisa que hoje vem sendo feita por Denilson e Souza. O São Paulo só tem a ganhar em ambos os casos.

Do jeito que está montado hoje, o SPFC tem a posse de bola nos pés dos jogadores errados. Pode pegar um Footstats da vida, os campeões da bola no pé vão ser Denilson, Souza, Tolói, Dória, Hudson e Reinaldo (ou Bruno e Carlinhos, tanto faz). A bola chega no Ganso com um cara grudado nas costas dele e meio segundo pra ele resolver. Seria o mesmo que o Barcelona fantástico do Guardiola deixar a bola com Busquets e Piquet: não ia sair nada, ficaria só posse de bola estéril. Tinha que vir um Xavi ou Iniesta pra armar, ou o Messi pra fazer uma mágica. O segredo estava em ficar com a bola até que esses caras tivessem espaço para fazer algo. No SPFC, o objetivo parece ser ficar com a bola e ponto.

Hoje em dia, qualquer time pequeno que enfrenta o SPFC pode ficar encolhido lá atrás sem nenhum pudor ou receio. Os atacantes tricolores vão ficar sem espaço, a bola vai ficar com jogadores que não tem capacidade de criar e vão ter 200 cruzamentos na área. Daí, quando o time começar a ficar nervoso, vão sobrar os espaços pra contra-ataque.

O Ganso é o jogador mais prejudicado nesse esquema. Ele não é o cara que vai resolver em meio metro de campo com o marcador em cima. Não adianta cobrar isso dele – assim como não adianta cobrar que ele entre na área. É preciso puxá-lo pra fora da muvuca, pro lugar onde tem espaço pra jogar. É preciso colocá-lo na linha dos volantes pra armar o jogo com espaço. E se a marcação adversária subir para acompanhá-lo, tanto melhor, que vai abrir espaço para os demais.

É preciso parar de cobrar que o Ganso seja um Raí ou Kaká e deixar que ele seja um Adriano.

domingo, 6 de julho de 2014

Breve Diário da Copa

12/junho
Uma abertura meia-boca e um showzinho chocho foram os aperitivos para a vitória do Brasil sobre a Croácia no início da Copa do Mundo. Tivemos todos os ingredientes possíveis pra tudo dar errado: pressão da torcida, adversário bem postado, gol contra logo no começo...mas o Neymar pôs a bola embaixo do braço e resolveu o problema - com uma ligeira ajuda do juiz japonês.

13/junho
Na mais aguardada partida da primeira fase, a Holanda não tomou conhecimento da campeã do mundo e sapecou 5 pra cima da Espanha - com grande colaboração do Casillas, diga-se de passagem. No mais, o México saiu na frente no triangular pela 2ª vaga e o Chile fez sua lição de casa com tranquilidade.

14/junho
Mais um dia de jogos memoráveis, com zebras doloridas (ah, Uruguai!) e muitos gols - até agora, temos 28 gols em 8 jogos, uma quantidade que só foi alcançada na África do Sul após 17 partidas!

15/junho
Hoje foi um dia histórico para as Copas: pela primeira vez, um dispositivo eletrônico evitou que um gol legal não fosse dado. Se existisse 48 anos atrás, a Inglaterra ainda seria o México da Europa.

Como é sabido (e cientificamente comprovado), a Copa do Mundo é um período em que a percepção dos dias da semana fica um pouco difusa, relativa, variável. A questão deixa de ser 'quando é meu rodízio' e passa a ser 'quando joga fulano ou ciclano'. Assim sendo, amanhã será uma alegre e divertida Alemanha-e-Portugal-feira.

16/junho
Hoje o dia começou fulminante: um Panzer germânico atropelou os lusos e um alemão aí tá ameaçando o recorde de gols em Copas do Ronalducho (e não é o Klose). Depois ficou meio sorumbático, com Nigéira e Irã fazendo o pior jogo da Copa disparado - torçamos para que não haja mais concorrência. E pra fechar a montanha-russa, os EUA (!) fazem um gol relâmpago (!!), tomam o empate de Gana, mas vão buscar a vitória nos 5 minutos finais do jogo (!!!).

E amanhã...HAJA CORAÇÃO, amigo! É dia de Brasil! 

17/junho
Foram mais de 300 km de congestionamento em São Paulo, milhares de pessoas que ficaram presas no trânsito até o intervalo e outras milhares que pararam no meio do caminho pra ver em qualquer boteco. E a culpa não é (só) da Dilma e do Blatter, mas também (e principalmente), de Ochoa, a muralha mexicana que parou tudo. O homem foi um paredão. Pegou até pensamento. Gastou a bola. Tanto que não sobrou nada para o Akinfeev, o goleiro da Rússia responsável pelo maior frango da Copa até agora. Um frango proverbial, daqueles que o sujeito fica com as penas na mão. Deu até dó, coitado.

18/junho
O diário está de luto pelo falecimento trágico e precoce do tiki-taka. Em respeito, não teremos boletim hoje. Amanhã voltamos com nossa programação normal.

19/junho
É, amigos, os últimos dois dias começaram a separar os meninos dos homens. A badaladíssima Espanha é como aquele menininho mala, dono da bola, que quer escolher o time, ser o capitão e o camisa 10 - chegou ao Brasil com o rei na barriga e volta pra casa mais cedo para ver a abdicação de Juan Carlos. Camarões, que desde 82 é sempre candidato a surpresa da Copa, é o menininho brigão, que faz bullying e, quando perde na bola, tenta arrumar confusão pra melar o jogo - levou um sonoro 4x0 da Croácia, tentou apelar e ainda viu dois jogadores quase saírem no tapa em campo. Ambos conseguiram a proeza de serem eliminados antes de Honduras e Irã.

Amanhã, chegaremos à metade da fase de grupos da Copa emblematicamente em Itália x Costa Rica. Conseguirão Pirlo e Balotelli salvar a pele dos súditos da rainha?

20/junho
Outro dia, outras histórias, cada uma melhor que a outra. Se ontem a consagração de Luiz Suárez deixou a Inglaterra à beira do abismo, hoje a Costa Rica deu o empurrãozinho que faltava. God save the Queen, porque a seleção já era. E após duas vitórias convincentes sobre campeões do Mundo, a Costa Rica pode se apresentar: muito prazer, sou a Morte, a dona desse Grupo.

Já a França vem ignorando solenemente os desfalques, o futebol fraco das eliminatórias e os adversários do seu grupo. Jogando na Bahia de Todos os Gols, transformou a outrora inexpugável defesa suíça em um Gruyère e caminha a passos largos para ser uma das únicas seleções européias a se classificar sem sustos. Sim, porque do jeito que as coisas andam, essa Copa tá mais com cara é de Libertadores.

21/junho
Essa Copa anda mesmo surreal. Hoje, o terceiro europeu foi despachado sumariamente para casa - e amanhã pode (deve) ser a despedida do gajo Cristiano Ronaldo e seus tugas. Mas o nível de surrealidade ainda vai aumentar assustadoramente. Acompanhem esse exercício de futurologia:
Imaginem que o Chile vença a desfalcada Holanda e a Nigéria consiga uma vitória suada contra uma sonolenta Argentina. Poderíamos ter de um lado da chave Chile x México, Costa Rica x Costa do Marfim, Suíça x Nigéria e Bélgica x EUA. Uma briga de foice no escuro por UMA VAGA NA FINAL DA COPA DO MUNDO! Claro, se a Argentina não perder para a Nigéria, esse lado da chave vai ficar com ela e as sete zebras. E ainda tem gente que diz que a Copa tá comprada pro Brasil.

22/junho
Mais um dia memorável, com uma chuva de gols no confronto menos promissor da rodada e Portugal evitando a eliminação aos 50' do 2º tempo. Não tem muito o que discutir, dentro de campo, essa Copa já é a melhor de todos os tempos. Até Portugal x EUA virou jogão. Até Argélia x Coréia do Sul! Não tem nem comparação. A Copa tinha que ser no Brasil toda vez. E, de preferência, todo ano. Carnaval em Fevereiro, Páscoa em Abril, Copa em Junho e Natal em Dezembro.

23/junho
Enfim, entramos na reta final da primeira fase da Copa. Agora, metade dos 32 times entra em férias e a outra metade se divide entre os favoritos e os o-que-vier-é-lucro. Holanda e Brasil se credenciaram no primeiro grupo (graças ao Neymar), enquanto México e Chile encabeçam o segundo. Porém, pela bola que jogaram até agora, posso garantir que nenhum dos quatro ficou muito feliz com o emparceiramento...

24/junho
No segundo dia de eliminações, mais convidados ilustres se despediram. Alguns deixam saudade, como Pirlo e Buffon, que mostraram ser como o vinho. Outros já vão tarde, como Costa do Marfim e Japão, que derrubam a tese de que não há mais bobo no futebol. Tem ainda o Luis Suárez, que sai pela porta dos fundos, algemado e deportado.

Já temos duas pernas de Quartas-de-Final definidas e a única certeza é que um sul-americano estará entre os quatro melhores do mundo. Ah, e também que a Holanda está rindo à toa com seu caminho até a semi.

25/junho
Mais dois confrontos das Oitavas-de-Final foram decididos ontem. A Argentina teve a atuação de gala que espera de Messi desde seus 13 anos e só fez 3x2 na Nigéria (ou a Nigéria está mais forte do que parecia, ou só o Messi não é tanto assim) o que, combinado com a vitória da Bósnia sobre o Irã, fez com que ambos se classificassem. A França fez um jogo aberto e franco contra o Equador, com 30 chutes a gol de lado a lado, mas os goleiros sobrepujaram os atacantes e o placar ficou 0x0 (ah, a altitude...certeza que em Quito a França levaria pelo menos 4x0). Como a Suíça conseguiu preencher sua cota de gols na rodada, a segunda vaga ficou com os helvéticos e o Equador foi o primeiro país da América do Sul eliminado da Copa.

26/junho
E então, mais cedo do que pensávamos, chegamos ao desfecho da primeira fase. Os dezesseis melhores foram definidos e as Oitavas-de-Final nos reservam alguns duelos saborosíssimos. Dois deles são confrontos sulamericanos, em que o estádio ficará dividido e o clima do jogo será 100% de Libertadores. Dois deles entre times franco-atiradores, já felizes de ter chegado até aqui, mas cujo emparceiramento permite estender um pouco mais a história de Cinderela. Três deles sem tanta rivalidade, mas com favoritos destacados, o que sempre é perigoso em mata-matas. 

Mas um deles é especial, um tira-teima 32 anos depois de uma das maiores injustiças das Copas do Mundo. Argélia e Alemanha se enfrentam pela primeira vez após o "jogo da vergonha" de 1982, onde a Áustria e a Alemanha Ocidental combinaram o resutado que classificaria ambas (uma vitória de 1x0 para os alemães), chegaram a ele logo aos 10 minutos do 1º tempo e ficaram apenas tocando a bola no meio de campo durante o resto do jogo, sob vaias ensurdecedoras da torcida. Será que os argelinos vão estar motivados?

28/junho
Jogos eletrizantes do início ao fim, de deixar os cabelos em pé. Uma média de uma prorrogação por dia, com duas disputas de penaltis. Sim, são as Oitavas-de-Final, o que equivale a dizer que é o começo do fim da Copa.

O Brasil foi teste pra cardíaco, com uma penca de gols perdidos, erro da arbitragem contra a gente, bola na nossa trave nos acréscimos do 2º tempo da prorrogação e a reencarnação do Taffarel no Julio Cesar. 

29/junho
A Holanda conseguiu virar contra o México nos cinco minutos finais com um penalti pra lá de maroto (ah, se fosse o Fred...). E hoje, após meia Copa do Mundo de apoteose dos atacantes, finalmente os goleiros roubaram o show. Rais, da Argélia, e Neuer, da Alemanha, só não fizeram chover em Recife.

3/julho
Depois dos dois depressivos dias, curtindo uma ressaca sem a Copa do Mundo (imagina como vai ser DEPOIS da Copa), eis que voltamos com nossa programação normal. E voltamos com a ótima geração belga finalmente mostrando a que veio, em um jogo maluco contra os EUA onde só a prorrogação teve mais chances de gol que toda a campanha da Espanha em 2010. Tim Howard fez um partidaço e Courtois garantiu a passagem para as Quartas no último lance, provando que essa Copa é mesmo dos GOLEIROS - e claro, nós precisamos de bons atacantes para serem nossos coadjuvantes. Também tivemos a Argentina suando sangue pra se livrar da Suíça, sendo salva no último lance por (sempre ele) Messi.

4/julho
No primeiro jogo do dia, a Alemanha recuperou sua tradicional eficiência pra bater a França e chegar à sua 13ª semifinal de Copa do Mundo. Das 20 que tiveram. Só isso.

À tarde, fomos da alegria às lágrimas em questão de minutos. O Brasil fez seu jogo mais seguro na Copa, se impôs e ganhou da Colômbia por 2x1, com atuação de gala da dupla de zaga. Porém, perdemos o Neymar. Nem importa como, importa só que a Copa perdeu sua cara. Nós perdemos a referência, o franchise player, o herói superpoderoso capaz de resolver tudo. E o mundo perdeu a chance de ver um Neymar x Messi em 13/julho, no Maracanã.

5/julho
A Argentina ganhou mais uma sem convencer e despachou a ótima geração belga. Já a Holanda sofreu (e muito) na mão da Costa Rica e, principalmente, de Keylor Navas, que fez pelo menos 3 defesas monstruosas - além de que o Van Persie estava em dia de Ademilson e perdeu mais dois gols de dentro da pequena área. Mas o melhor foi o Van Gaal, que trocou o goleiro no último minuto da prorrogação e viu o Krul pegar dois penaltis, classificando o time pra sua segunda semifinal seguida - igual 74 e 78...vem outro vice aí?

De heróis e pênaltis

Disputa de pênaltis é uma coisa complicada, inverte a polaridade de heróis e vilões. Lembro um São Paulo x União Barbarense em um Paulistão daqueles malucos onde empates iam para os pênaltis com um ponto extra em disputa. O São Paulo ganhava de 2-1, um jogo modorrento como só o Paulistão consegue produzir. No último minuto, o falecido Adil bateu uma falta quase da intermediária no ângulo e empatou o jogo. Festa, euforia e tal. Nos pênaltis, advinha quem erra a cobrança? O Adil. No fim, o São Paulo saiu eufórico por ter ganho nos pênaltis, apesar de ter perdido um ponto praticamente ganho. A Barbarense saiu cabisbaixa, mesmo recuperando um jogo perdido. E o Adil, o herói que empatou o jogo no apagar das luzes, saiu como o vilão por ter perdido seu pênalti.

Holanda x Costa Rica foi um pouco disso. Jorge Luis Pinto vinha se dando melhor que Van Gaal durante o jogo, muito por causa da atuação brilhante de Navas. Aos 15 minutos do 2o tempo da prorrogação, Van Gaal troca o goleiro, que entra pra pegar dois pênaltis e classificar o time pra semi. Navas foi o melhor em campo, mas "decepcionou" porque não pegou pênalti. Van Gaal levou um nó tático em boa parte do jogo, mas sai como o gênio que pôs o cara certo pra decidir. Robben e Van Persie saem eufóricos por chegarem à semi e a torcida nem lembra que eles perderam o duelo com a zaga e o goleiro dos Ticos - o Van Persie, especialmente, perdeu gols de fazer corar Deivid e André Lima. E a Costa Rica, que fez a melhor campanha da história do país, bateu de frente com as potências mundiais, sai de cabeça baixa porque viu a vaga chegar muito perto.

O fim da cara da Copa

Não consigo nem imaginar o que passa pela cabeça do Neymar. Tanta expectativa, tanta preparação pra jogar um campeonato único, uma Copa em casa! Tanta pressão da torcida, tanta corneta da imprensa...acho que nenhum jogador jamais esteve sob tanta pressão quanto ele. Talvez o Barbosa pós Maracanazzo. 

E o moleque tava correspondendo! 4 gols, duas assistências, o cérebro do time, o desafogo. O cara que põe a bola debaixo do braço, o batedor do último pênalti. Mesmo não jogando tudo o que pode, era o oásis de futebol nesse meio campo árido.

E agora, acabou. O sonho de ganhar a Copa em casa foi pro espaço por causa da imprudência de um adversário, um dentre tantos que tentou pará-lo na bola e, não conseguindo, apelou pra pancada.

Se o Dunga não tivesse sido tão teimoso, ele já estaria na segunda Copa do Mundo. Quem sabe até já tivesse um título no currículo, e essa contusão deixaria sua trajetória ainda mais parecida com a do Pelé. A frustração de 2010 deve amplificar ainda mais essa de agora.

Enfim, Neymar, desejo que você tenha muita força e equilíbrio na recuperação. Nessa Copa das Copas de tantas boas histórias e memórias, você tem lugar entre as melhores.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Normalizando São Paulo e Atlético-MG

Existe uma técnica no mundo corporativo muito usada para comparar coisas que não são diretamente comparáveis. Chama-se normalização. Ela consiste em tirar da amostra todas as diferenças estruturais conhecidas para aumentar a sua comparabilidade (gostou dessa, Adenor Bacchi?).

Por exemplo, a empresa A vende sabão e amaciante e a empresa B vende só sabão. Se eu quiser comparar a performance das duas, vou ter que pegar o indicador da empresa A (por exemplo, receita de vendas) e retirar dele todo o efeito do amaciante no resultado. Assim, normalizando a amostra, posso saber quem vende mais sabão entre esses concorrentes.

Pois bem, no futebol as análises são muito mais subjetivas e, por isso mesmo, mais complexas. Se quisermos analisar a performance de São Paulo e Atlético nessa Libertadores, todos os indicadores apontam para uma vantagem avassaladora do time mineiro. Melhor campanha dentre todos os times na primeira fase, time jogando por música, goleadas acachapantes sobre o time que ganhou do São Paulo, derrota só quando o time estava só 'brincando' (ahã, for the sake of the argument). No lado paulista, o extremo oposto: último dentre os classificados, derrotas vergonhosas para times ridículos, nenhuma boa atuação nos 5 primeiros jogos e uma última vitória na marra contra um Atlético 'brincando' (ainda for the sake of the argument). Além do mais, ambos já se enfrentaram 3 vezes esse ano, com duas vitórias do Galo contra uma do São Paulo, e essa ainda foi no jogo da 'brincadeira' (ok, parei).

Enfim, como eu disse, um monte de números apontando para a superioridade do Galo. Porém, sabe-se que o futebol não é nem um pouco exato e objetivo. Alguns times 'encaixam' melhor contra uns que contra outros, alguns jogadores crescem e outros somem em momentos decisivos, assim por diante. Além disso, cada situação no jogo pode evocar uma resposta diferente de um mesmo time: ele pode jogar melhor no contra ataque, só se sentir confortável com a posse de bola, etc. As possibilidades são inúmeras - e todas relevantes, já que o jogo pode ser decidido em alguns detalhes.

Tomando tudo isso como base, vamos iniciar nossa Análise Normalizada de São Paulo e Atlético® considerando que, como estamos em um mata-mata (no qual o primeiro 'mata' já foi), apenas os confrontos entre os dois devem ser levados em conta. Dessa forma, retiramos do quadro as possíveis dificuldades do São Paulo contra times menores, que não vai entrar em campo na semana que vem. Também com esse espírito, vamos desconsiderar a vitória do São Paulo na última rodada da fase de grupos, onde o Galo jogou  com pouca motivação. Sobraram apenas o primeiro jogo, no Independência, e o jogo de ontem. Vamos desconsiderar também o jogo de ontem a partir da expulsão do Lúcio, que claramente 'desnormalizou' o jogo - os gols perdidos pelo Ademilson são parte do jogo e podem se repetir na semana que vem, enquanto o desequilíbrio psicológico do Lúcio, felizmente, não.

Ficamos com um jogo e 34 minutos de outro para analisar. Não é uma amostra muito grande, mas já dá pra ver algumas coisinhas. Por exemplo, que o Atlético gosta de ditar o ritmo do jogo - como foi no primeiro tempo no Independência. E que não sabe jogar em desvantagem - o time ficou visivelmente desconfortável nos 34 minutos do Morumbi. Da mesma forma, podemos dizer que o São Paulo tem time pra afogar o Atlético - fez isso nos 34 minutos do Morumbi e no segundo tempo do Independência. Só que, pra isso, precisa da entrega na marcação que teve aqui em São Paulo, sem deixar os espaços para contra-ataque que culminaram com o segundo gol lá em Minas.

Também deu pra perceber que o Atlético prefere administrar a vantagem à finalizar o oponente - teve chance de golear o São Paulo tanto no Independência quanto no Morumbi e não o fez, além de não ter se esforçado para eliminar o adversário no jogo da 'brincadeira'. Ou seja, é um time consciente da sua força e que tem sido meio preguiçoso contra o São Paulo.

O panorama ideal para o São Paulo era ganhar o jogo em casa para jogar no contra-ataque em Minas. Como isso não é mais possível, teremos que ir pra cima do Galo como se o jogo fosse em casa. A pressão da torcida vai ser grande e vai ser difícil o time deles aceitar a nossa marcação alta como foi no Morumbi.

Porém, para o jogo da semana que vem, o Atlético tem todas as vantagens possíveis. Joga diante da sua torcida, começa o jogo classificado, vem de um jogo fácil no fim de semana (Tombense, enquanto o São Paulo pega o Corinthians) e com o time embalado. Ou seja, não tem motivo nenhum para ir para cima do São Paulo. E é aí que o tricolor pode ter uma chance.

Se conseguir encaixar sua marcação pressão e fizer um gol rápido, como foi nos 34 minutos do Morumbi, o São Paulo pode acender a centelha da dúvida na alma atleticana. A mesma dúvida que apareceu no jogo de ontem, que acabou gerando 4 chances claras de gol e que só sumiu por causa do Lúcio. Se o placar marcar 0-1, o Atlético vai ficar em desvantagem apenas pela segunda vez na Libertadores - sendo que na primeira eles estavam nas cordas e foram salvos pela expulsão do Lúcio. Como o Galo vai reagir se o São Paulo não resolver esse problema pra ele?

Essa é a questão que o São Paulo precisa propor na semana que vem. Não é fácil (até porque o discurso fácil do derrotismo já foi acionado pelo Rogério na saída do gramado ontem), mas é possível, como a nossa análise normalizada mostrou.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Uma questão de Postura

O atacante, sorrateiro como é, recebe a bola atrás da zaga - em posição duvidosa, diga-se de passagem. Ele conduz a bola para dentro da área, configurando para o goleiro uma clara situação de Dois passos e pára.

Como sabemos, essa é uma das raras situações em que o goleiro tem menos responsabilidade que o atacante aos olhos do público leigo em geral (que inclue a maioria dos comentaristas televisivos). Porém, há alguns comportamentos mínimos que se esperam do honrado guarda-metas, dentre os quais o que mais se destaca é a postura.

Voltemos à cena. É o atacante quem dá as cartas, é ele quem define qual será a dança. O goleiro precisa se preparar para todos os cenários: ao mesmo tempo em que se aproxima do ofensor para fechar o ângulo, deve manter uma postura que o permita ir na bola ao menor indício de conclusão. Na teoria, isso significa manter os pés paralelos, os joelhos levemente flexionados e as mãos ao lado do corpo - praticamente um pistoleiro em duelo de Faroeste. Na prática, o goleiro deve ficar na posição que achar mais confortável para uma defesa rápida, no reflexo.

Ontem, no Atlético-MG e São Paulo de abertura da Libertadores, tivemos um exemplo certo e um errado da postura frente ao atacante. No primeiro gol do jogo, Ronaldinho recebeu a bola dentro da área sozinho e cruzou para o Jô. Reparem na postura do Rogério Ceni, ereto e dando um passo à frente, pego totalmente de surpresa pelo lance:
Isso que dá oferecer água ao inimigo
Já no segundo tempo, no lance que decidiu o jogo, Luis Fabiano recebeu uma bola na entrada da área só com Victor à frente e soltou uma bomba. Só que o goleiro atleticano, bem posicionado e com a postura correta, conseguiu fazer a defesa que selou a vitória mineira.

Pode-se discutir o enésimo 'renascimento' do Gaúcho, as mirabolâncias táticas do Ney Franco ou o 'medinho' de levar o empate do Cuca, mas o que realmente decidiu a partida foi a postura dos goleiros nesses dois lances capitais.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Desejos de Ano Novo

Desejo que o Ganso seja o Pita, não o Ricardinho.
Desejo que o LF9 vá ao psicólogo com freqüência.
Desejo que o Breno se regenere e volte a jogar bola.
Desejo que o Lucio só faça lambança em jogos pouco importantes.
Desejo que o Ney Franco aprenda a substituir. Ou que cuide apenas do posicionamento, da estratégia e da tática e deixe o Rogério definir as substituições.

Desejo que a gente elimine o Corinthians nas semi da Libertadores, com duas vitórias acachapantes, incontestáveis. Ou nos pênaltis, com o Chicão, o Emerson e o Jorge Henrique errando as cobranças.
Desejo que a gente ganhe a Recopa com o Corinthians se recusando a voltar para o segundo tempo. E com o Danilo dando entrevista depois se dizendo envergonhado, que isso nunca tinha acontecido antes na carreira dele.

Desejo que o Bayer ganhe a UCL, pois já ganhamos de espanhol, italiano e inglês no Mundial, só falta os alemão.

Desejo que o Palmeiras passeie na Segundona, que seja campeão com 8 rodadas de antecedência e bata o ‘recorde’ do Corinthians. E que a Globo dedique uma série especial à essa rivalidade de segunda.

Desejo que o Neymar continue encantando o mundo, que faça 70 gols no ano, um mais lindo que o outro. E que o Santos perca 50% dos jogos por 4x3.

Desejo que o Galo ganhe o Mineiro e a Copa do Brasil, pro Ronaldinho poder continuar jogando sem pressão.

Desejo que o Grêmio perca na Pré-libertadores e nem classifique para as finais do Gauchão. E que o Luxa seja substituído após um empate sem gols com o Brasil de Pelotas na Arena.

Desejo que o Flamengo perca a semifinal da Taça Guanabara para o América e a da Taça Rio para o Duque de Caxias. Que o Dorival caia e o Luxa assuma, que o Adriano seja reintegrado e que o time passe 30 das 34 primeiras rodadas na zona de rebaixamento. Que ele dependa de uma vitória do São Paulo na última rodada pra não cair. E que o Joel já esteja apalavrado para 2014.

Desejo que o Guardiola assuma o City no meio do ano e que ganhe o Inglesão com 10 rodadas de antecedência.

Desejo que o Mou pare de estragar o Real ainda esse ano. Que ele volte ao Chelsea. Que apanhe do City em todos os encontros e reclame na imprensa que os árbitros protegem os times do Guardiola.

Desejo que o Atlético de Madri consiga manter o ritmo do Barça ao longo do ano e que assuma a ponta na última rodada, quando os catalões se dividirem entre a final da UCL, a Copa del Rey e o Espanholão. E que o Falcão marque mais gols que o CR9 e apenas 2 a menos que Messi no ano.

Desejo que o Napoli brigue pelo título no Italianão. Que Cavani marque tantos gols quanto o Falcão no ano.

Desejo que o Lucas seja protagonista no PSG. Que tenha tanto sucesso quanto o Raí.

E desejo que a Copa das Confederações seja um sucesso de organização. Mas quanto a esse último, não tenho muita esperança, não.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

De antis e ódios

Disclaimer: tudo nesse post vai de memória, sem verificação de fontes, nada. Os dados que forem incluídos o serão para ilustrar a minha percepção do que aconteceu. Se quiser os dados reais das partidas, times e campeonatos citados, por favor, não se fie na minha memória e pesquise no Google.

Minha primeira lembrança de um jogo de futebol foi um São Paulo x Portuguesa no Morumbi. Lembro que fui com meu pai, lembro que era uma tarde ensolarada, lembro que quando eu sentava na arquibancada de concreto, meus pés não tocavam o chão. Ah, lembro também que um cara da Portuguesa tentou fazer um gol do meio de campo, a bola passou do goleiro, mas pegou na trave. Não lembro quanto foi o jogo, qual era o campeonato ou se valia alguma coisa.

O primeiro jogo que eu realmente lembro de detalhes maiores foi Guarani 3 x 3 São Paulo, final do Brasileiro de 1986. Vimos pela TV, mas com o som desligado e o rádio na Jovem Pan. O jogo foi no Brinco de Ouro da Princesa (lembro do Wanderlei Nogueira dizendo 'isso sim é nome de estádio!'). De memória, o São Paulo tinha Waldyr Perez, Zé Teodoro, Wagner, Fonseca, Nelsinho, Silas, Pita, Muller e, principalmente, Careca. O Guarani tinha Sergio Néri, Boiadeiro e, principalmente, Evair. O Evair foi meu primeiro vilão no futebol! Era ele quem queria evitar que o meu time, o time do Bem, fosse campeão! O Careca, em contrapartida, foi meu primeiro herói - e nada mais heróico que empatar o jogo no último minuto do segundo tempo da prorrogação da final do campeonato. Nem lembro se ele fez o seu penalti depois, mas lembro que fomos campeões - ou seja, o Bem venceu o Mal, como toda criança gosta. Talvez por isso eu tenha perdoado o Evair anos depois.

No ano seguinte, lembro de alguns flashes de jogos da Libertadores. Contra o Cobreloa, no Chile (que criança esqueceria um time chamado Cobreloa?), quando meu pai me deu a primeira aula de fundamento de goleiro em uma defesa do Waldyr ('qualquer goleiro com menos fundamento teria espalmado para escanteio, mas olha como ele faz, puxando a bola para frente...'). Também lembro que teve algum rolo no tapetão entre São Paulo e Cruzeiro na Copa União, o que me levou a rasgar a figurinha do Careca Bianchesi (a repetida, claro) como protesto. O São Paulo não foi longe na Libertadores e o Guarani não jogou a Copa União, então coube ao Cruzeiro assumir o papel de vilão futebolístico (o Mal), imprescindível à qualquer torcida. Lembro que na final, torci pelo Inter por causa do Taffarel e do Luis Carlos Winck, figurinhas carimbadas do meu álbum, mas não foi nenhum grande desgosto ver o Flamengo campeão.

Depois, lembro de um Paulista em que São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos chegaram nas semis e isso não acontecia há algum tempo. O Corinthians tinha Carlos, Edson, Wilson Mano, Dida, Biro-biro, Everton e Edmar. O Palmeiras tinha o Zetti e o Edu Manga. O São Paulo tinha Gilmar, Pita, Lê, Edvaldo e Neto. O Santos tinha Rodolfo Rodrigues. Lembro de um São Paulo 3x3 Corinthians (com 3 do Biro-biro), de um gol do Neto de falta no Palmeiras (no que deve ter sido o maior frango da carreira do Zetti) e de ouvir São Paulo x Santos no rádio na casa da minha avó. Mas nenhum deles era o Mal. Nenhum deles botava medo. Jogar contra eles era até mais legal que contra os outros.

Em 89, o Vasco encarnou o Mal de tal forma que só foi perdoado no ano passado, depois de uma purgação pela Segundona e de se livrar do Eurico. Final do Brasileiro, jogo no Morumbi, o Vasco jogava por uma vitória para ser campeão. Se empatasse ou se o São Paulo ganhasse, teríamos um jogo de volta no Maracanã. Meu pai havia prometido que se tivesse jogo de volta, nós iríamos para o Rio assistir! Eu nunca tinha ido a outro estádio que não o Morumbi - ou seja, torci como nunca nesse dia. Porém, aos 40' do 2º o Bismarck me cruza uma bola da direita, o Sorato cabeceia no canto e o Gilmar espalma para dentro. Final, 0x1. Até hoje, eu nunca vi um jogo no Maracanã.

No ano seguinte, finalmente, o Corinthians entrou para a lista de componentes do Mal, ao ganhar o Brasileiro da gente. Com Ronaldo, Paulo Sergio, Guinei, Ezequiel, Wilson Mano (que fez um gol de joelho no jogo de ida da final) e Tupãzinho (que fez um gol de carrinho no jogo de volta) e mais um elenco limitado, eles tiraram o que seria o primeiro título do embrionário time do Telê, já com Zetti, Cafu e Mario Tilico, que eu me lembre. Mas nem aí o ódio foi tão forte, pois pouco depois teve aquela célebre final do Paulista com os 3 gols do Raí para compensar.

No outro ano, ganhamos o Brasileiro em cima do Bragantino de Luxemburgo, Mauro Silva, Silvio, Ronaldo Alfredo, Gabriel e Marcelo - e não dá para não simpatizar com uma história de Cinderela como a deles. Deu até uma certa dor no coração acabar com o sonho, mas simplesmente não dava para perder três Brasileiros seguidos. E o Muller até tentou, furando bisonhamente a bola em que, no rebote, o Mario Tilico fez o gol do título.

Na Libertadores, pegamos o Criciúma de Felipão e Jairo Lenzi, mas o que assustou mais foi a tal altitude, quando jogamos no Peru (ou seria Bolívia?). Lembro de ganharmos do Flamengo com um golaço do Palhinha e um gol perdido incrível do Catê, de passarmos pelo Barcelona (EQU), de uma bola na linha que o Ronaldo Luis salvou contra o Cerro Porteño e de chegarmos na finalíssima contra o Newell's Old Boys, o primeiro integrante do eixo do Mal estrangeiro, do temido Gamboa (ou Gangorra, como dizia o Macedo). Lembro que eu odiei o Ronaldão até o fim dos penaltis (como é que um zagueiro daquele tamanho bate o penalti fraquinho no meio do gol?), mas depois passou.

Nesse ano, fizemos o tradicional (naquela época) passeio pela Europa no meio do ano, jogando o Teresa Herrera e o Ramón de Carranza. Lembro que ganhamos ambos, goleando o Real Madrid por 4x1 em um e o Barcelona  por 4x0 em outro. O time do Telê jogava por música. E no fim do ano, ganhamos de novo do Barcelona de Zubizarreta, Bakero, Nadal, Guardiola e Stoychkov. Lembro de ter assistido sozinho, na cama dos meus pais, que estavam fora por algum motivo.

O único vilão esse ano foi o Vasco (outra vez) de Bebeto e Carlos Germano. Com a agenda lotada por causa dos torneios de verão europeus, o São Paulo acabou jogando a sua classificação para as finais do Brasileiro logo depois da final do Mundial. Foi contra o Vasco, em São Januário, e precisávamos de uma vitória simples contra um time já eliminado (depois de liderar a fase de classificação, diga-se de passagem). Pois o time esteve irreconhecível e tomamos de 3x0 - o primeiro gol, inclusive, foi numa batida de roupa do Zetti. Bem-feito pro Vasco, que acabou vendo o Flamengo campeão.

No outro ano, outra Libertadores. Naquela época, o campeão do ano anterior não jogava a fase de grupos, então o São Paulo estreou direto no mata-mata. E pegou, logo de cara, o Newell's de novo! Lembro que entramos dormindo no jogo na Argentina e perdemos de 2x0. No jogo de volta, o Telê armou uma marcação pressão na saída de bola tão eficiente que os argentinos não passaram do meio de campo até o intervalo. Virou 3x0 para nós e acabou 4x0, com direito ao único golaço do Dinho que eu consigo lembrar.

A final contra a Universidad Católica foi um 5x2-fora-o-baile, mas esse eu lembro de detalhes mais vívidos, pois estava no Morumbi. Lembro do Gilmar ter tentado atrasar uma bola para o Zetti sem ver que ele não estava no gol - o Zetti acabou evitando o gol e o juiz se confundiu, não marcando a recém-criada atrasada. Lembro do golaço por cobertura do Muller, que foi bem na minha frente. Lembro de uma sequência espetacular de defesas do Zetti, que foi no gol do outro lado. E lembro de ter saído de lá com a sensação de que ganharíamos assim sempre.

Ledo engano. O vilão seguinte foi um dos mais doloridos, já que foi o primeiro que triunfou sobre nós após atingirmos esse nível de excelência. O Velez Sarsfield, do goleiro bad boy José Chilavert, nos superou nos penaltis em pleno Morumbi. E para piorar, naquela época nascia o Palmeiras-Parmalat, que seria o nêmesis do São Paulo do Telê até o fim de seus dias. Ganhamos deles naquela Libertadores, com duas atuações de gala do Zetti, mas isso não ia se repetir para sempre. Esses foram meus primeiros inimigos fidagais, daquele que você torce para que perca até o par-ou-ímpar: Velez e Palmeiras. Chilavert e Luxemburgo herdaram esse meu ódio, depois.

Foram alguns anos torcendo contra o Palmeiras - o Velez acabou sumindo rápido. E anos negros, em que eles tinham Velloso, Cafu, Antonio Carlos, Roberto Carlos, Evair, Djalminha, Edmundo, Mazinho, Zinho e Rivaldo e a gente se virava com Valdir Bigode e Euller. Mentira, também tínhamos Leonardo, Válber, Palhinha, França e Vágner, mas não dá para negar que os céus verdes eram muito mais estrelados. De qualquer forma, a partir de 98 nós paramos de fazer frente ao poderoso suíno e passamos a sucumbir ao ascendente Corinthians de Marcelinho Carioca. Nunca foi tão fácil identificar o Mal: além de ganhar do meu time, o vilão ainda tinha caráter duvidoso. E era bom no que fazia. Praticamente um estereótipo de vilão de história em quadrinhos.

Em 98 e 99 o ex-vilão Palmeiras, através de São Marcos, passou a nos vingar das derrotas para o Mal. E elas foram muitas, as derrotas, fazendo com que os corinthianos apelidassem o Morumbi de seu 'salão de festas'. Foram anos doídos, em que a perspectiva de um jogo contra eles já me deixava agoniado - era a certeza de ver o Gil deitando e rolando para cima do Julio Santos e do Liédson passando por cima do Jean. Triste, muito triste, o período mais negro da minha história de torcedor. E perdurou até 2002, quando montamos os Galáticos do Morumbi, com Ricardinho, Kaká e Luis Fabiano, além de um supporting cast razoável.

Nesse ano, eu estava confiante de encarar o Corinthians de igual para igual - o time deles continuava forte, que fique claro - mas havia uma pedra no meio do caminho. O Santos, que nunca havia sido nada de mais a meus olhos, pôs as manguinhas de fora. Com uma geração de ouro da base e algumas peças que se encaixaram por mágica (Fabio Costa, Maurinho, Alex, André Santos e Léo, Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego, Alberto e Robinho), eles trucidaram o time do Bem em todas as chances que tiveram. E ainda dançaram em cima do símbolo, no Morumbi.

Bom, o Santos seria o novo time do Mal, mas eu nunca consegui torcer contra eles de verdade. Sei lá, o Santos é um time simpático. Não tenho problemas em vê-los ganhar, nem nunca tive - desde que não seja da gente, claro. Assim, o posto máximo do Mal ficou vago por um tempo - até 2004, mais ou menos. Foram tempos turbulentos para os lados do Morumbi, com uma eliminação na semifinal da Libertadores para o glorioso Once Caldas (que nem chegou a ser do Mal, de tão insignificante) e uma chuva de pipocas na saída do Fabuloso.

Depois veio 2005, com tudo o que ele teve de bom. Ganhamos o Paulista ao natural, a Libertadores sem muito susto (apesar do esforço sobre-humano do Atlético-PR para forjar uma 'rivalidade' conosco) e, para compensar, o Mundial mais sofrido da história, contra o Liverpool. Eu vi o jogo sozinho em casa - a atuação de goleiro mais decisiva da história do futebol - e depois recebemos alguns amigos para um churrasco, nada a ver com o futebol. Fiquei impressionado com o ódio de um dos presentes, corinthiano, para com a galera que estava comemorando. Isso porque eles tinham ganho o Brasileiro esse ano! Mas, realmente, eles tinham razão de nos odiar, pois naquela época os nossos confrontos eram bem desiguais. Lembro que derrubamos 2 ou 3 técnicos deles na sequência (Passarella, nos 5x1 do Pacaembu, Tite, naquele em que o Coelho perdeu um penalti e o Kia foi no vestiário reclamar, e mais um interino que não lembro) e ficamos quase 3 anos sem perder - até aquele 1x0, gol do Betão, no Brasileiro do rebaixamento deles. O Mano Menezes, aliás, foi elogiado por ter passado um ano sem perder para o São Paulo.

Mas o Mal não estava adormecido. Nessa época, ele encarnou no Internacional, que não contente em nos tirar o bi da Libertadores, ainda tentou disputar o título Brasileiro de 2006 com a gente. A derrota para o Inter foi doída, mas não gerou tanto ódio - o time deles era muito bom, com Sóbis e Fernandão. Até torci por eles contra o Barça. O ódio só veio depois do caso Oscar mesmo.

Em 2007, paramos no Grêmio, em 2008 no Fluminense e em ambos, levamos o Brasileiro para compensar - nenhum ódio envolvido. Em 2009 é que foi inconcebível, perdemos para um Inter capenga (Mazembe que o diga) e ainda deixamos escapar o quarto Brasileiro consecutivo em um jogo despretencioso contra o Goiás - nesse caso, o ódio não era muito direcionado, não tinha um vilão caracterizando o Mal. Quer dizer, até tinha: nesse meio tempo, o Corinthians, incomodamente, começou a se recusar a perder da gente! Essa época, sim, foi de ódio: não ganhávamos nada, nem do Corinthians! Foram mais (acho que) 2 anos até que o ódio passasse - lavado com uma vitória e o 100º gol do Rogério Ceni.

De lá para cá, o São Paulo entrou em uma ebulição interna tão grande que perdeu o sentido procurar vilões nos nossos adversários. Não foi o Avaí ano passado nem o Coritiba esse ano que despertaram meu ódio, mas sim o Juvenal, o Adalberto e o Jesus Lopes. Os adversários, Corinthians e Palmeiras included, parecem mais se solidarizar com essa cruz que ora carregamos e que eles tão bem conheceram.

Enfim, já fui anti-corinthiano, anti-palmeirense e anti-inter (esse, ainda sou). Torço contra com todas as forças quando um time se opõe aos esforços do São Paulo para ser campeão, como os times acima citados fizeram acintosamente. Porém, não é esse o caso hoje em dia. O São Paulo é que se opõe aos seus próprios esforços. Acintosamente.

Além disso, esse time do Corinthians é até que bem simpático, tirando as laranjas podres de costume (Emerson, Chicão, Jorge Henrique e Andrés). O Danilo, por exemplo, é um que merece esse título.

Enfim, não chegarei a ponto de torcer a favor do Corinthians, mas não me importo tanto se ele ganhar. Posso simplesmente sentar e aproveitar o jogo.

sábado, 2 de junho de 2012

Crimine Nocet Divinitatis*

Cristiano Ronaldo já é um dos monstros sagrados da bola, mesmo antes de ter alcançado o auge de sua carreira. Só não está mais alto na cadeia alimentar por ter que dividir as luzes da ribalta com ninguém menos que Lionel Messi - da mesma forma que monstros sagrados d'antanho foram subvalorizados por coexistirem com o Pelé.

Anyway, o caso é que nem os monstros sagrados estão livres do escrutínio e dos humores dos deuses do futebol. E poucas coisas irritam mais os supracitados deuses do que isso aqui. É praticamente uma afronta direta, um xingar a mãe dos deuses.

Felizmente para o balanço do universo, esse tipo de coisa não fica impune por muito tempo...

* Crime lesa-divindade, em latim

terça-feira, 29 de maio de 2012

Crônica de uma semifinal para a história

Cenário: O campeonato interno do C. A. Paulistano sempre teve 4 ou 5 times fortes e 3 ou 4 sacos de pancada. Esse ano, devido ao amadurecimento dos garotos que começaram ano passado (a Inter de Milão), à redistribuição de alguns jogadores e ao surgimento de um time fortíssimo de garotos sub-alguma-coisa (a Portuguesa), o campeonato mudou completamente de figura: são 7 times brigando ponto a ponto por 4 vagas, 1 time que vendeu caro a derrota em quase todos os jogos e somente 1 saco de pancadas. Para se ter uma idéia, ficaram de fora das semifinais o atual campeão (Manchester) e o novo time de galáticos (Galo).

Personagens: O meu time (Fenerbaçhe) era a quinta força dos campeonatos passados. Tínhamos um time excelente no papel, mas alguma coisa sempre dava errado em campo - nervosismo, key players indo mal, reclamações com o juiz, etc. Fato é que nós fomos carta fora do baralho nas discussões do título nos últimos três ou quatro campeonatos - até que chegou 2012.

Não sei dizer direito o que mudou - as profecias Maias, algum alinhamento interplanetário, forças ocultas manobrando para tomar o poder - mas esse ano nós passamos de zebras a contenders. O time ficou mais focado, parou de brigar entre si e com o juiz, os franchise players passaram a jogar o que deles se cobrava e as contratações (cirúrgicas, diga-se de passagem) renderam até mais do que se esperava. Enfim, fizemos um excelente primeiro turno, encaramos de igual para igual os principais times do campeonato e nos classificamos em 3º lugar para as semifinais - com a mesma pontuação do 2º, aliás, mas perdendo nos critérios de desempate.

O adversário foi esse tal 2º, a já citada Portuguesa. Um time formado predominantemente por garotos de alguma seleção de base do clube (sinceramente, não me arrisco a chutar a geração), com alguns reforços da velha guarda. Ah, e é importante frisar, um time muito forte.

Tão forte que não se limitou a dar trabalho aos so called 'grandes'. Disparou na ponta no início do campeonato (um pouco favorecido pela tabela, acredito) e se consolidou como uma das forças do torneio, sacramentando sua classificação para as semis com uma vitória sobre o Manchester - vitória, aliás, que eliminou os detentores do título desse primeiro turno.

Histórico: Fener e Lusa se enfrentaram em um momento nevrálgico da temporada para ambos. A Lusa liderava, mas ainda não tinha sido efetivamente testada. Ganhara dos times menores, dois deles perigosos até, mas jogos que qualquer um que quisesse brigar para classificar tinha que ganhar. Em suma, era um time promissor, mas que ainda despertava desconfiança. O Fener vinha de dois empates-com-sabor-de-derrota contra os grandes e duas vitórias contundentes contra os pequenos. Em suma, começava a sacudir o complexo de vira-lata para longe.

A Lusa venceu por 3x1, mas as circunstâncias do jogo permitiram ao Fener não sair desmoralizado - nesse jogo, eu machuquei aos 10 minutos, tomamos um gol contra, um em um penalti besta e outro no contra-ataque nos minutos finais, quando pressionávamos em busca do empate. Saldo final, Lusa se firmando entre os grandes e Fener com justificativas para não desanimar - embora essa derrota viesse a custar caro mais tarde.

Após esse embate, o Fener se recuperou e engatou duas vitórias seguidas - uma delas em uma verdadeira batalha contra o Manchester - e chegou na última rodada precisando de um empate para classificar. O adversário era o Galo, time que mais se reforçara na pré-temporada, mas que demorara para engrenar e chegava na última rodada precisando ganhar para não depender de uma derrota improvável do Grêmio, seu adversário direto na luta pela vaga.

Fener x Galo também foi um jogo épico, mas não é o foco dessa crônica. Basta dizer que o Galo, após muito insistir, conseguiu abrir o placar aos 38' do 2º tempo e que o Fener empatou aos 43'. Uma classificação milagrosa, na raça.

Como já foi dito, a Lusa se garantiu eliminando o Manchester e, na última rodada, acabou levando uma goleada do Atlético-PR, o eterno favorito, que assumira a ponta irrefutavelmente. Mas essa classificação heróica não foi nada perto dos problemas de bastidores da equipe.

Após a última partida da Lusa no 1º turno, surgiu uma denúncia - prontamente comprovada - de que a equipe teria usado um jogador irregular durante todo o campeonato. A denúncia foi apurada pela Secretaria de Esportes e o Comitê de Patronos decidiu manter a pontuação da Lusa no 1º turno, mas a puniu com a perda de 6 pontos no 2º turno. Não sei dos detalhes do caso, mas, pessoalmente, achei que ficou até barato. Pois não foi o que achou o patrono da Lusa, que se disse injustiçado e que seu time 'responderia na bola essa injustiça'. Aquele discurso blasé de 'contra tudo e contra todos' que se banalizou no futebol nos últimos tempos.

Prelúdio: De um lado, com 15 pontos em 8 jogos, a Lusa, equipe sensação do campeonato, que vinha com a faca nos dentes (futebolês para o termo 'motivada por uma self called injustiça'). Do outro, também com 15 pontos, mas perdendo no confronto direto, o Fener, equipe em franca recuperação e disposta a mostrar que a derrota do turno tinha sido circunstancial. Vale a vaga na final do 1º turno. Ah, sempre é bom lembrar que a equipe de melhor campanha (no caso, a Lusa) joga pelo empate no tempo normal. Ou seja, para o Fener é win or go home.

Ato I: Bola rolando, o Fener com a iniciativa, mantendo a posse de bola e estudando o adversário. 80 minutos (sim, os jogos são 40' por 40') eram mais do que suficientes para fazer o gol da classificação, não havia porque se afobar. Porém, na primeira chegada da Lusa ao ataque, saiu um escanteio. Na cobrança, um desvio fortuito no primeiro pau tirou toda a minha zaga do lance e apareceu um lusitano sozinho no 2º para fazer 1x0.

Assimilado o golpe, Fener volta a tocar a bola, mas já começam a espoucar os lançamentos longos (sinal claro de que o time está nervoso). Para piorar a situação, em uma saída de bola errada da zaga, um atacante chega na linha de fundo e cruza para trás para o outro, que chega batendo e faz 2x0. Não devia ter nem 20' de jogo.

Um dos 'veteranos' que compõem o grupo da Portuguesa é o Polonês (por razões óbvias, não vou nem tentar escrever o sobrenome dele). Ele é um centroavante dedicado, mais brigador do que técnico, mas que sempre guarda um golzinho em mim. No passado, era quase sempre um gol na raça - e de honra, já que ele jogava em um dos times fracos do campeonato.

Pois nesse ano, não foi bem assim. Lançaram uma bola a meia altura e ele deu um tapa por cima do meu zagueiro. Dizem as más línguas que ele errou o domínio - difícil dizer, uma vez que o resultado foi um chapéu que o Neymar podia assinar sem constrangimento - mas o fato é que esse movimento o deixou na cara do gol. Na minha cara. Eu fechei o ângulo e me preparei para tentar buscar uma pancada em um dos cantos, mas ele só deu um toque sutil, que me encobriu e morreu na redinha do lado. Um gol de craque - o que já desmoraliza um tanto quem toma - colocando 3x0 no placar. A gente precisava ganhar, lembra? A moral não podia ser pior no lado turco da semi. Fim do Ato I.

Ato II: Porém, comprovando sua mudança de atitude e (principalmente) de mentalidade, o Fener não abandonou o jogo. Em outros tempos, essa situação equivaleria a jogadores batendo boca entre si, expulsões bestas e uma goleada vexatória, capaz de desanimar para o resto do campeonato. Pois não foi o que se viu. O Fener começou a ser mais incisivo (mesmo que ainda abusasse dos lançamentos, consagrando o zagueiro adversário), a criar chances meio tímidas...e foi em um cruzamento despretencioso do Cardoso da esquerda que a bola desviou na zaga e foi parar no fundo das redes lusitanas. 3x1, still a mountain to climb.

Mal a Portuguesa deu a saída, o Moisés já recuperou a bola e lançou o Lippi. Que chutou cruzado. E, no rebote do goleiro, o Giuli apareceu para fazer 3x2. Será...?

Já nos acréscimos do 1º tempo, uma jogada espetacular do Cardoso, que girou no meio de três marcadores e fuzilou o goleiro: 3x3! Fim do 1º tempo. Um jogo aberto, mas com a vantagem psicológica para o Fener.

No início do 2º tempo, após pressionar um pouco, finalmente passamos à frente: Lippi se livrou da marcação dentro da área e sofreu o penalti. Tenho certeza que 99% dos presentes pensaram em Robben, Cech e os efeitos da pressão sobre os cobradores em penaltis decisivos. Mas não o Lippi, que só deslocou o goleiro para virar: 4x3 Fener!

Convenhamos que uma virada milagrosa e um gol antológico já seriam o bastante para incluir o jogo no panteão dos melhores da história do CAP. Porém, ainda tínhamos mais de metade do 2º tempo pela frente - e algumas surpresas também.

A partir daí, os papéis se inverteram. A Lusa passou a buscar mais o jogo, a atacar mais, mas deixava espaços na sua defesa para os contra-ataques do Fener. Danton, o goleiro da Lusa, fez uma ponte espetacular em um chue cruzado do Lippi e a zaga desviou um chute do Giuli que tinha endereço certo. O jogo estava bom para o Fener, mas a Lusa conseguia encaixar alguns jabs, principalmente em escanteios e laterais perto da área. Fim do Ato II.

Entreatos: Devíamos estar próximos aos 25' do 2º quando o lance que vai marcar esse jogo aconteceu. Sim, mesmo com gol antológico e virada espetacular, ainda tinha algo ímpar, algo raro para diferenciar esse jogo dos demais. Após um escanteio do Fener, a bola sobrou com o Caio na ponta direita. Como é tradicional em bolas nessa posição, o Caio driblou seu marcador para a esquerda e bateu. A bola entrou no gol vazio, pois Danton havia abandonado a meta para prestar auxílio (leia-se 'alongar') ao Moisés, meia do Fener que havia se machucado (leia-se 'tido câimbra') no escanteio. 5x3, o que constituia uma vantagem considerável tanto na prática quanto no lado psicológico da Portuguesa.

A equipe da Lusa ficou transtornada com a suposta falta de fair play, mas a verdade é que o Caio não tinha visto o que aconteceu na área - nem seu marcador, diga-se de passagem. Quando se esclareceu o ocorrido, o Fener decidiu devolver o gol à Lusa e o Lippi, fominha que só ele, foi o responsável pelo tento. 5x4, temos um jogo novamente.

Ato III:  A partir daí, a Portuguesa passou a lutar pela sobrevivência e o Fener, para confirmar sua história de superação. A pressão lusitana nem era tão grande - eu peguei umas duas bolas boas, no máximo - mas o Fener já não tinha mais gás para contra-atacar como antes.

Quis o destino que a peleja ainda passasse por mais uma trágica inversão de papéis antes do seu final. Em um lateral próximo à área, a bola foi desviada por três defensores do Fener na sequência, sem que nenhum conseguisse afastar definitivamente o perigo, e acabou nos pés de um atacante lusitano no 2º pau. Ele dominou e bateu no meu contrapé, na redinha do lado. 5x5, com requintes de crueldade.

Ainda faltavam aproximadamente 10 minutos, mas nós já não tínhamos nem pernas, nem oxigênio no cérebro para tirar outro coelho da cartola. Mesmo assim, o Caio ainda obrigou o Danton a fazer um milagre em um chute no ângulo.

Após o fatídico apito final, uma festa portuguesa, com certeza. Um final triste e melancólico para o que foi o maior jogo já visto no Arthur Friedenreich - pelo menos para nós, claro. Fim do Ato III.

Conclusão: Apesar da tristeza por não estarmos na final, estou profundamente orgulhoso de fazer parte desse time. A garra que demonstramos para recuperar esse jogo perdido diz muito sobre o nosso caráter e sobre a nossa resiliência. Nós temos que chorar essa eliminação sim, nunca devemos sair felizes com uma derrota, mas não há motivo para desespero. Fener, nós saímos do 1º turno para entrar para a História.

E que o 2º turno nos aguarde...

domingo, 6 de maio de 2012

Pitacos avulsos

Fazendo uma análise relâmpago de Guarani 0x3 Santos (vendo só os gols, diga-se de passagem), tive um insight: essa pressão toda para o Neymar ir para a Europa não se justifica. Aqui no Brasil ele está evoluindo a olhos vistos, fazendo algo novo a cada jogo, com tão poucos buracos em seu repertório que seus detratores são obrigados a apelar para uma suposta tendência ao cai-caísmo do garoto (confesso que concordo com eles, os detratores, mas só quando o Neymar enfrenta o São Paulo).

Já o Ganso é outra história. Extremamente talentoso e cerebral, mas ainda com falhas de fundamento semi-básicas - o pé direito dele, por exemplo, não deve servir nem para subir no ônibus. Hoje, no 2º gol ele só não entrou de bola e tudo porque fugiu do domínio com o pé ruim. Esse é o tipo de coisa que se deixa passar no Brasil, em nome do talento, da extrema aptidão que o craque tem em outras funções do jogo. Na Europa, ele ficaria todo dia depois do treino praticando o pé ruim.

Não é que os europeus são melhores que nós, longe disso, mas que culturalmente eles se preocupam mais com os fundamentos do que a gente - com as honrosas exceções de praxe: Telê fazia o Cafu treinar cruzamento todo dia e ele nunca teve uma média de acertos tão boa quanto a do começo da carreira, no São Paulo.

Em síntese, acho que o Neymar está com a carreira no caminho certo (apesar do seu empresário), mas que o Ganso (e a seleção brasileira) se beneficiaria muito de uma transferência para a Europa agora, quando seu jogo ainda pode ser moldado.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Brasileirão como le gusta

Não me lembro na história do futebol mundial de um campeonato tão acirrado quanto o Brasileirão desse ano. Normalmente, os campeonatos mais disputados, aqueles que marcam época, tem no máximo três times na briga no fim das contas. Pois bem, nós já estamos na reta final (faltam menos de 25% dos jogos por fazer) e ainda temos SETE aspirantes reais ao título.

Serão nove confrontos diretos entre eles, nove finais, nove jogos de parar a cidade - e isso sem contar os clássicos tradicionais e toda a luta contra o rebaixamento. Tem muito campeonato que não tem 9 jogos que gerem expectativa em toda a sua duração e nós vamos tê-los só no último quarto do Brasileirão. Enfim, o campeonato está exatamente como eu gosto, um tapa na cara de quem reclama da falta de emoção dos pontos corridos. E o melhor de tudo, o São Paulo ainda está na briga pelo título! #vaitricolor

Bom, como futurologia é uma arte ao alcance de todos, resolvi fazer umas simulações básicas dessas últimas rodadas para já me preparar psicologicamente. Para o pior, no caso, já que quase todos os cenários que eu simulei deram, em CNTP, Corinthians ou Botafogo no topo. E confesso que após uma avaliação fora de CNTP, meu maior medo é do Bota. Mas vamos às análises:

TABELA
- O Corinthians tem apenas um jogo do título (confronto direto). Pega Cruzeiro e Inter fora, deve (leia-se 'bem que podia') fazer no máximo 1 ponto. Depois, Ceará e Figueirense fora, além do clássico na última rodada. Acho que perde a ponta antes do fim do mês.

- O Vasco tem muita pedreira pelo caminho - 3 clássicos (que, no caso, são também jogos do título), o Bahia em Pituaçu e o São Paulo lá no Rio. É quem mais tem jogos de título, com quatro ao todo.

- O Botafogo tem 5 rodadas ganháveis antes do clássico contra o Vasco - incluindo aí o Santos na 4ª que vem – e depois recebe o Inter – que pode já não ter mais ânimo. O bom é que eles tem 2 jogos difíceis nas últimas rodadas – Atlético-MG brigando pra não cair lá em Minas e Fluminense. Ou seja, minha torcida é para ele perder ponto nessa sequência inicial – Atlético-PR (casa), Santos (fora), Avaí (fora), Cruzeiro (casa) e Figueirense (casa). Se perder do Santos, por exemplo, já dá uma boa freada no ímpeto. Tem três jogos do título.

- O São Paulo tem o problema de jogar melhor fora do que em casa, fica difícil analisar. Nossos piores jogos são Vasco, Furacão e Bahia, todos fora, além de Palmeiras (também fora) e Santos nas duas últimas. Ou seja, se mantivermos o aproveitamento fora de casa, estamos no páreo. Temos apenas um jogo do título, o que dá um frio na espinha.

- O Flamengo já deve perder o fôlego nessa rodada, contra o Ceará lá. Tem ainda Grêmio e Coritiba fora, além do Inter em casa e do Vasco na última rodada. Acho difícil chegar no final brigando, mas se negociar bem a ultrapassagem nos três não-jogos-do-título mais complicados, até tem chance. Tem dois jogos do título, no total.

- O Fluminense tem Ceará, Inter e Figueira fora, além de dois clássicos. Na minha opinião, é o que tem a tabela mais complicada, com jogos traiçoeiros mesmo quando não são confrontos diretos. Tem três jogos do título.

- O Inter pode ser o fiel da balança, desde que mantenha a motivação. Se ganha do Avaí esse fim de semana, vai receber o Corinthians empolgado e, depois, Fluminense, Flamengo e Botafogo. Também tem quatro jogos do título e é meu favorito para roubar pontos dos concorrentes.

CENÁRIO IDEAL - ANÁLISE JOGO-A-JOGO
(entre parênteses, o total de pontos ganhos pelo time a cada rodada)

- SÃO PAULO: temos Atlético-GO lá (3 pts), Coxa aqui (6 pts), Vasco lá (nosso único jogo do título, temos que ganhar – 9 pts), Bahia lá (complicado, acho que só empata – 10 pts), Avaí aqui (13 pts), Furacão lá (se nunca conseguimos ganhar lá, não vai ser agora – 13 pts), América-MG aqui (16 pts), Palmeiras lá (19 pts) e Santos aqui (22 pts). Devemos fechar com 70 pontos, ganhando nosso jogo do título.

- BOTAFOGO: pega Furacão em casa (3 pts), Santos fora (4 pts), Avaí fora (7 pts), Cruzeiro em casa (10 pts), Figueira em casa (13 pts – aqui, nós teríamos 10, ou seja, 4 a menos no total), Vasco fora (1º jogo do título deles – 13 pts), América-MG fora (16 pts), Inter em casa (2º jogo do título deles – 17 pts – a gente tem 16, 2 a menos no total), Atlético-MG fora (17 pts – a vingança do Cuca – nós fazemos 19 e assumimos a ponta) e Fluminense em casa (3º jogo do título deles – 20 pts). Fecha com 69 pontos, perde um e empata um jogo do título.

- VASCO: tem Atlético-MG em casa (3 pts), Bahia fora (complicado – 3 pts), a gente em casa (1º jogo do título deles – 3 pts), Santos fora (muito próximo do Mundial – 6 pts), Botafogo em casa (2º jogo do título deles – 9 pts), Palmeiras fora (12 pts – o Bota tem 16, nós temos 13 e o Corinthians 10), Avaí em casa (15 pts), Fluminense fora (3º jogo do título deles – 15 pts) e Flamengo em casa (4º jogo do título deles – 18 pts). Fecha com 69 pontos, perde 2 dos 4 jogos do título.

- CORINTHIANS: tem Cruzeiro lá (0 pts), Inter lá (único jogo do título deles – 0 pts), Avaí aqui (3 pts), América-MG lá (6 pts), Furacão aqui (9 pts – aqui nós e o Bota temos 13, ambos na frente deles), Ceará lá (10 pts), Atlético-MG aqui (13 pts), Figueira lá (14 pts) e Palmeiras aqui (17 pts). Fecha com 68 pontos, perdendo o jogo do título.

- FLUMINENSE: tem Palmeiras fora (3 pts), Atlético-MG fora (4 pts), Ceará fora (7 pts), Inter fora (1º jogo do título deles – 7 pts), América-MG em casa (10 pts), Grêmio em casa (13 pts), Figueira fora (16 pts), Vasco em casa (2º jogo do título deles – 19 pts) e Botafogo fora (3º jogo do título deles – 19 pts). Fecha com 66 pontos, perdendo 2 e ganhando um jogo do título.

- INTER: tem Avaí em casa (3 pts), Corinthians em casa (1º jogo do título deles – 6 pts), Atlético-GO fora (9 pts), Fluminense em casa (2º jogo do título deles – 12 pts), Cruzeiro fora (12 pts), Bahia em casa (15 pts), Botafogo fora (3º jogo do título deles – 16 pts), Flamengo fora (4º jogo do título deles – 17 pts) e Grêmio em casa (20 pts). Fecha com 64 pontos, ganhando 2 e empatando 2 jogo do título.

- FLAMENGO: tem Ceará fora (1 pt), Santos em casa (4 pts), Grêmio fora (5 pts), Cruzeiro em casa (8 pts), Coxa fora (8 pts), Figueira em casa (11 pts), Atlético-GO fora (14 pts), Inter em casa (1º jogo do título deles – 15 pts) e Vasco fora (2º jogo do título deles – 15 pts). Fecha com 63 pontos, empatando um e perdendo um jogo do título.

Nesse cenário, chegaríamos na penúltima rodada com 6 pontos de diferença entre os sete times - ou seja, chances matemáticas para todos - sendo que dois pontos separariam o 1º do 4º. Na última rodada, teríamos  um ponto separando o 1º do 4º e dois pontos do 1º para o 5º. Quer coisa melhor?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pitacos sobre o retorno

- Fui ao Morumbi de tala, tomei uma baita chuva, tive que ouvir torcedor corneta desde os 5’ do 1º tempo e ainda perdemos para um time com Felipe, Renato Abreu e Luxemburgo!

- Se não fosse o Luis Fabiano, eu nunca iria num jogo com tanto potencial para estragar meu humor. E dei tanto azar que até os pontos positivos do SPFC foram extremamente irritantes, como o Dagoberto comemorando o gol como se fosse o do título do Mundial na morte súbita. Ou o Rogério fazendo 3 milagres e a zaga continuar torcendo a cada cruzamento na área.

- Também tinha esquecido como nossa torcida é corneteira. Primeira jogada que o Wellington errou, começou o corinho de ‘Rivaldo’. O time só teve apoio real da arquibancada nos primeiros 15 minutos, até a bola-na-trave-impedido, depois foi só pressão e vaia. E na cativa foi ainda pior, com uma quantidade industrial de gente que usa o jogo como terapia.

- Achei incrível como o Denilson, no estádio, é muito melhor que na TV. Ele foi um monstro, antecipou todas as bolas, estava sempre no lugar certo pra fazer a cobertura. Com ele no meio, dá até para ter o Casemiro, que tem marcado igual ao Dagoberto, dando bote e desistindo quando é driblado.

- E por falar em Dagoberto, como é burro! Além da comemoração exagerada, que valeu um amarelo, ainda fez uma falta pra cartão logo na saída do jogo! Tão burro quanto o Lucas!

- Quanto ao Luis Fabiano, acho que o que falta é ritmo de jogo - e isso só se ganha jogando de verdade, jogo contra o sub17 não conta.

- Tomar família dos cariocas em casa é muito ruim, mas tão ruim quanto é ver a cabecinha que o SPFC tá desenvolvendo. Na hora das faltas do Rogério, o Adilson ficou gritando com o gandula pra roubar a bola do lado do gol do Felipe para não ter saída rápida! O Junior Cesar mandou a bola para fora pra ser atendido e nós não devolvemos, na maior cara de pau! Só faltava ter arrumado briga no fim do jogo pra virar várzea de vez.

- Ah, além de corneta, nossa torcida é burra! Sai gol do Vasco contra o Corinthians, os caras comemoram! Preferem perder o título, desde que o rival perca também? O Ronaldinho estava morto em campo, não dando nem um mísero drible, e começam a provocar o cara. Deixa ele morto, vai cutucar justo ele? Sem falar que a birra com o Adilson fez o Luis Fabiano sair embaixo de vaia – na hora, pensei que a única alternativa do Adilson para substituir sem vaia era pôr o Rivaldo ou tirar o Luis Fabiano. Enganei-me redondamente.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Clássico é clássico

Ainda estou achando difícil entender como um jogo pode ser tão bom e tão ruim ao mesmo tempo quanto o São Paulo 1x1 Palmeiras desse domingo.

O gol do Dagoberto foi coisa de cinema: um lob no Marcos com requintes de crueldade. A defesa do próprio Marcos na tentativa do Fernandinho foi espetacular, coisa de quem sabe muito do assunto - ainda mais com o santo reclamando de dor no braço por causa da força do chute. A defesa do Rogério Ceni na bicicleta do Luan foi surreal, coisa difícil de se imaginar - e mais ainda de se executar. A tabelinha entre Dagoberto e Rivaldo, que culminou numa pancade de esquerda raspando a trave, também foi de empolgar.

Por outro lado, tivemos umas 4 ou 5 bolas isoladas de joanete pelo Xandão - lances que seriam bisonhos no Campeonato Interno do Paulistano. Os passes da ala direita do São Paulo, com Piris e Wellington também estavam sofríveis. O João Filipe nos brindou com uma arrancada seguida de mergulho daquelas de despertar a vergonha alheia. Até Rogério e Marcos contribuíram para o show de horror: o primeiro, não saindo do gol nem em bola dentro da pequena área e o segundo, batendo um tiro-de-meta no pé do atacante são-paulino. E deve ter tido mais alguma do Palmeiras que eu não registrei - ninguém joga com Leandro Amaro impunemente.

Em um jogo bi-polar como esse, não era possível mesmo o resultado agradar a algum dos lados. Bom para os corinthianos, que se mantém na liderança a despeito do esforço do time para entregá-la de mão-beijada.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dia do Goleiro

Eu até pensei em postar alguma coisa em honra a nós, goleiros, que merecemos mais do que ninguém. Porém, veio o Manuel Neuer e me fez essa baita homenagem aqui. Como isso vale mais do que qualquer coisa que eu pudesse ter escrito, simplesmente assino embaixo - principalmente na cabeçada do Giggs, no 1º tempo.

PS - O vídeo tem mais de 4 minutos, mas a homenagem vai apenas até os 2m30s. O blog aconselha veementemente que não se assistam as cenas seguintes, que são, pra dizer o mínimo, assaz desrespeitosas num dia tão importante.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

De video-games, craques e super-heróis

Um amigo meu diz que o único problema do Winning Eleven é a existência de super-heróis no jogo. São aqueles jogadores cuja habilidade é tão superior à dos outros que o jogo acaba se resumindo a fazer a bola chegar nele que ele resolve.

Quando joguei com esse meu amigo, fizemos um acordo de cavalheiros para não usar a super-velocidade, o super-chute, a super-habilidade de nossos jogadores em prol de um jogo mais puro e próximo à realidade.

Ontem, Lionel Messi mostrou que isso não é mais necessário.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Voltando ao futebol...

Que beleza ver o Henrique jogando e fazendo gol pelo São Paulo! Espero que bata pelo menos uma pontinha de arrependimento no Oscar e no Diogo.
Que o Rogério não devia mais ser o batedor de penaltis do time, eu concordo. Mas pôr no lugar dele o Marcelinho Paraíba, que bate penalti no ângulo, me parece um tanto quanto arriscado.
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Que divertido está sendo ver o Santos jogar! Futebol moleque de tudo, tanto na irreverência do ataque quanto na irresponsabilidade da defesa.
Que golaço fez o Robinho. Mas que comemoração babaca, também.
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Que fase do Corinthians! Primeiro perdeu a Copinha, depois o Carnaval. Já tem pressão e o time nem estreou na Libertadores!
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Que presepada fez a diretoria do Palmeiras! É nessas horas que eu tenho que concordar, mesmo a contragosto, que a diretoria do São Paulo não é tão ruim assim.
Que vã esperança tem o Belluzzo, achando que vai encontrar um Guardiola por ano lá no Palestra. E o Jorginho vai muito bem, obrigado, no Goiás.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Revendo os pitacos - a contagem final

Eis que o Brasileirão mais disputado da era dos pontos corridos chegou ao fim, trazendo consigo a tão esperada hora de medir a eficiência do pitaqueiro (para ter idéia de onde isso saiu, veja aqui e aqui).
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LEGENDA:
Rebaixamento - entre o 17º e 20º lugar
Limbo - entre o 12º e o 16º lugar
Sul-americana - entre o 5º e o 11º lugar
Libertadores - entre o 2º e o 4º lugar
Título - 1º lugar
Em itálico - chute inicial
Em itálico e negrito - palpite
Normal - placar dos chutes

Atlético/MG - toda vez fico na expectativa do Tardelli estourar, mas acho que Sul-americana tá de bom tamanho.
Pode-se até dizer que o Tardelli estourou e o time liderou boa parte do turno. Mesmo assim, tá difícil levar o Galo a sério na briga pelo título. Acho que subiu um degrau e deve lutar pela Libertadores. 1 alterado.
6º - 1 errado, mas por pouco

Atlético/PR - se ano passado foi a vez da do Eurico, esse ano é a herança maldita do Petraglia que vai se manifestar. Rebaixamento.
Olha que ainda é possível. O time vem se recuperando calcado na boa fase do Paulo Baier - algo que o Goiás de 2007 também fez e só não caiu por causa do Corinthians. 1 alterado e 1 mantido.
14º - 2 errados, por pouco de novo

Avaí - não é aqui...surfe...Guga...ok, na quarta coisa que veio à mente, chegamos ao futebol: importou um meio-campista para a Coléia pra jogar com meu irmão. Não que impacte na campanha deles, que deve ficar no Limbo.
Surpreendente. Podemos estar testemunhando o nascimento de um grande técnico. Agora, acho que leva a Sul-americana sem esforço. 2 alterados e 1 mantido.
7º - 2 errados e 1 certo, na mosca

Barueri - inovar é uma coisa, inventar moda é outra completamente diferente. Três caras tomando conta de algo dá besteira desde os idos de março, com Julio César, Marco Antônio e Otávio. Rebaixamento.
Eis o time exceção para confirmar todas as regras. Atrasa salários, trocou 3 treinadores (e foi trocado por 1), vendeu seu jogador símbolo para as arábias e mesmo assim, continua brigando pelas cabeças. Acho que logo, logo a sorte muda e ele briga para ficar no Limbo. 3 alterados e 1 mantido.
11º - 3 errados, esse foi longe, e 1 certo

Botafogo - tem mais time e mais técnico que no ano passado, mas não dá a impressão de que vai melhorar o desempenho. Sul-americana.
Não tem mais técnico anymore e o time, que no papel é razoável, vem refugando sistematicamente. Forte candidato ao Rebaixamento. 4 alterados e 1 mantido.
15º - 4 errados, graças ao Palmeiras, e 1 certo

Corinthians - torço pelo Ronaldo tanto quanto torço contra Chicão, Felipe, Cristian e Mano. Queria que o Fenômeno fosse o artilheiro do campeonato e só, mas acho que briga pelo Título. Ronaldo mais ficou fora do que jogou até agora e a diretoria promoveu um yard sale de meio de temporada digno dos Perrela. Apesar disso, o time continua forte (Elias está muito acima da média, a zaga é boa e Dentinho também) e ainda acho que incomoda na briga pelo Título - até porque é a única coisa que ainda o motiva esse ano. 4 alterados e 2 mantidos.
10º - 5 errados, esse bem longe, e 1 certo

Coritiba - impressionante na Copa do Brasil, nem parece que perdeu a referência no ataque. Dá até pra pensar em Libertadores.
Entrou em crise após a eliminação da Copa do Brasil e comprometeu o início do Brasileirão. Tem um bom time, mas já trocou de técnico e está brigado com a torcida. Acho que se estabiliza logo mais e fica no Limbo sem maiores sustos. 5 alterados e 2 mantidos.
17º - 6 errados, graças ao Palmeiras², e 1 certo

Cruzeiro - medo. A cada ano que passa o time melhora. Título.
Ficou irreconhecível após perder a Libertadores, mesmo ainda tendo um time forte após as tradicionais vendas de meio do ano. Fica mais difícil ter medo de um time que contrata 4 laterais esquerdos medalhões e efetiva na posição um garoto vindo dos juniores - que vem jogando muito bem, diga-se de passagem. Sul-americana. 6 alterados e 2 mantidos.
4º - 7 errados, graças ao Palmeiras³, e 1 certo

Flamengo - eu acredito no Adriano. Não, em duendes não. Libertadores.
Eu ainda acredito no Adriano, assim como o Dunga. Briga pela Libertadores. 6 alterados e 3 mantidos.
1º - 8 errados, graças a uma arrancada empolgante, e 1 certo

Fluminense - no papel, é forte (Conca e Fred!), mas o papel só joga na semi da Copa da UEFA. Sul-americana.
Conca tem jogado menos que bolinha de papel e Fred machucou - não que estivesse bem antes disso. Além disso, touxe de volta Renato Gaúcho, que pode conseguir um pouco invejável bi-Rebaixamento. 7 alterados e 3 mantidos.
16º - 9 errados, graças a uma arrancada empolgante², e 1 certo

Goiás - o Iarley é ótimo, mas acho que o resto não acompanha. Terá sorte se ficar no Limbo.
Não só o resto vem acompanhando muito bem como o clube ainda repatriou o cobiçado Fernandão, bem nas barbas de Palmeiras, São Paulo e Inter. Porém, sua campanha em casa não inspira muita confiança e creio que na reta final vai se contentar com a Sul-americana. 8 alterados e 3 mantidos.
 9º - 9 errados e 2 certos, esse na pinta

Grêmio - o Souza tá jogando tanto que nem lembrava que o Tcheco ainda está lá. Título.
O time continua bom, mas o bloqueio psicológico fora de casa impossibilita qualquer grande aspiração. Sul-americana. 9 alterados e 3 mantidos.
8º - 9 errados e 3 certos, outro na pinta

Internacional - o melhor time do país pelo 3º ano seguido. Porém, acho que dessa vez vai brigar pelo Título.
Ainda deve brigar pelo Título, mas parece que perdeu a inspiração. Não é mais o favorito. 9 alterados e 4 mantidos.
2º - 9 errados e 4 certos, mais um na pinta

Náutico - passou raspando too many years. Esse é o ano deles. Rebaixamento.
Apesar da interessante teoria do André Kfouri, de que o time não cai pelo know-how da situação, continuo achando que esse é o ano deles. Rebaixamento. 9 alterados e 5 mantidos.
19º - 9 errados e 5 certos, bulls-eye

Palmeiras - ataque ganha jogo, defesa ganha campeonato. No máximo, briga pela Libertadores.
Trocou Keirrison por Obina, mandou Luxemburgo embora e, depois de uma minissérie, trouxe Muricy. Enquanto isso, o time chegou à liderança e abriu vantagem, sagrando-se campeão do 1º turno. Acredito que o ritmo vai cair um pouco e o time acaba brigando pela Libertadores. 9 alterados e 6 mantidos.
5º - 10 errados, graças ao Palmeiras⁴, e 5 certos

Santo André - uns 5 anos de atraso. Em 2004 um time com Gustavo Nery, Marcelinho Carioca e Rodrigo Fabri seria favorito ao título. Rebaixamento.
Ainda mandou embora o Sergio Soares, um dos únicos profissionais promissores do time. Rebaixamento mesmo. 9 alterados e 7 mantidos.
18º - 10 errados e 6 certos, na mosca

Santos - time bom e técnico inovador. Só duvido que a torcida tenha a paciência necessária. Deve ficar na Sul-americana.
Nem a torcida, nem o presidente tiveram paciência - e olha que o técnico nem se mostrou tão inovador assim. Ainda tem um time bom e corre o risco do Luxemburgo tirar alguma coisa da cartola, mas não deve passar da Sul-americana. 9 alterados e 8 mantidos.
12º - 10 errados e 7 certos, mais uma drosophila abatida

São Paulo - tríplice coroa, a de verdade, com título nacional, continental e mundial. Espero nada menos que o Título, fora o baile.
Não deu para tentar a tríplice coroa e a era Muricy terminou com o time beirando a zona de rebaixamento. Para piorar, contratou-se o Ricardo Gomes, que não tem um currículo muito animador. Mas não é que deu certo? Ainda acho que a diretoria 'diferenciada' acerta mais por sorte que por planejamento, mas o time voltou a ser forte candidato ao Título. Inclusive o mais forte, na minha humilde e isenta opinião. 9 alterados e 9 mantidos.
3º - 10 errados e 8 certos, tínhamos chance até o intervalo do último jogo

Sport Recife - a Bombonilha não é mais aquela. Sul-americana.
Nem a Bombonilha, nem os antes ótimos Magrão, Durval, Dutra, Ciro e um longo etc. Nunca uma Libertadores fez tanto mal a um time. Rebaixamento. 10 alterados e 9 mantidos.
20º - 10 errados e 9 certos, mais um bulls-eye

Vitória - Carpegiani não dá confiança. Limbo.
Eis um caso de errar acertando: no 1º Turno, o Carpegiani foi principal o responsável por levar o Vitória à briga pela liderança, muito acima do que poderia se esperar. Daí, o time perde uma seqüência de pontos normal para um time do limbo e a diretoria megalomaníaca manda o cara embora. Resumindo, se o Carpegiani continuasse lá, eu mudaria o palpite. Como ele caiu, cravo no Limbo. 10 alterados e 10 mantidos.
13º - 10 errados e 10 certos, para fechar redondo
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E o Told You So Index alcançou impressionantes 50%, assim como havia sido na 19ª rodada. Em um campeonato cheio de altos e baixos como esse, só se encontra consistência mesmo aqui, Onde Não Nasce Grama.