sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Status do Brasileirão 2009

Depois da 32ª rodada, parece que o Campeonato Brasileiro virou uma briga caseira entre o São Paulo e Muricy Ramalho para ver quem é o primeiro tetra-campeão seguido. Claro que 6 rodadas é uma vida, mas acho que agora começou o sprint final do campeonato.

Mas o pior de tudo é o dilema do corinthiano nesse domingo. Se perde, ajuda o Palmeiras. Se ganha, ajuda o São Paulo. E agora, José?

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Atualização pós-clássico
E não é que o Corinthians arrumou uma solução salomônica? Um empate que zera a gordura de um e tira a liderança do outro. Missão cumprida: nenhum dos torcedores rivais ficou satisfeito com o resultado.

Aliás, perdemos outra chance de ter um alinhamento cósmico na tabela. Se o Palmeiras perdesse do Corinthians e o Inter ganhasse do combalido Botafogo, teríamos uma escadinha do 1º, com 58, ao 5º, com 54.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Capítulo 11

Estava de volta ao corredor estreito, afogado pela multidão, sem ter para onde ir. Sentia algo tampando seu nariz e teve certeza de que morreria em pouco tempo, quando sentiu uma mão o agarrando pelo ombro e o sacudindo.

- Mano, cê tá muuuito louco, hein? Tá tentando cheirar o saco de lixo! Sério, velho, nunca pensei que fosse achar alguém num naipe pior que o meu, mas cê bate todos os recordes!

Olhou em volta lentamente, procurando o corredor, as vitrines, a multidão e não encontrou nada. Estava em um beco sórdido, só de cueca, deitado de bruços em cima dos sacos de lixo, entre um mendigo dormindo e um drogado sorridente. Lembrou de ter parado no semáforo quando estava indo para a padoca. Lembrou de ser agarrado por dois homens e de ver que um deles era japa. E lembrou também de...

Esticou a mão para trás, tentando alcançar o local da facada. Sentiu uma pontada de dor, mas não encontrou nem a ferida nem sentiu sangue escorrendo. Para falar a verdade, a ponta dos seus dedos estava congelada, por isso era difícil descobrir qualquer coisa pelo tato. Mas talvez não fosse uma ferida fatal, no fim das contas!

Não tinha idéia de quanto tempo ficara desacordado, apenas sentia um frio miserável e uma fome dos infernos. Seu estômago roncava tão alto que ecoava pelo beco sórdido. Ao seu lado, o cara sorridente falou:

- Ih, ó o cara! Mó larica, hein? Chega aí, eu tenho uns docinhos pra essas horas...

Rachou com o drogado uma pipoca doce Aritana e, lentamente, sentiu que as forças retornavam, embora o frio persistisse. Do outro lado, o mendigo acordou, tomou um trago de uma garrafa num saco de papelão e dormiu de novo. Sua mão segurava a garrafa como um torniquete, mas de debaixo de seu braço escorregou um pacote com seus pertences.

Era um homem honesto, mas nessa hora descobriu que seus escrúpulos não sobreviviam a temperaturas muito frias. Assim, murmurando desculpas para enganar a própria consciência (um ‘é só um empréstimo’ e um ‘depois eu devolvo’, para ser exato), pegou o paletó que estava por cima do pacote e o vestiu. O cheiro não era tão ruim, principalmente comparado ao lixo da padoca, mas o mais importante é que ele era forrado por dentro.

Bom, a fome e o frio já não eram problema, mas ele ainda precisava chegar ao hospital o mais rápido possível. Como que para ilustrar esse pensamento, um espirro lhe subiu do fundo da alma e ecoou pelo beco sórdido. Com a sabedoria de quem vivia nas ruas, seu comunicativo novo amigo diagnosticou, ainda mastigando os últimos piruás:

- Rapá, isso é gripe suína! Eu sei por que um amigo meu teve também! Ele passou umas duas semana dando esses espirro louco e, de repente, amanheceu morto. Com as mãozinha pra frente, assim, que nem um leitão assado. Cê precisa ir no médico logo!

- E como é que eu vou no médico assim? Sem calça e sem um puto no bolso?

- Olha, quando eu acho que tou doente, eu procuro algum acidente de carro ou atropelamento e deito do lado das vítimas. Às vezes a ambulância me leva junto.

Não era má idéia. Levantou-se, agradeceu ao drogado e encaminhou-se para a rua principal. Para sua sorte, viu que um motoqueiro tinha sido atropelado por um ônibus e estava esparramado no chão. A sirene de uma ambulância já soava nas redondezas.

Não havia tempo a perder! Precisava chegar antes da ambulância e deitar no chão sem que os outros percebessem. O som da sirene estava mais alto, mas ainda dava tempo. Seus olhos ainda não tinham se habituado à claridade, quando ele desatou a correr para o local do acidente.

De repente, ao som da sirene se juntou o de uma buzina. Ele mal havia dado dois passos pela rua quando foi atropelado em cheio pela ambulância e caiu desacordado ao lado do motoqueiro.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diário da Lui - 27/10

Hoje eu pus um babador da mesma cor do babador do papai. Só que o do papai é esquisito. É fino e comprido, vai até a cintura dele. O papai deve ter muita mira para babar sempre no lugar certo.

Ah, hoje eu também aprendi a colocar e tirar a chupeta da boca! A mamãe ficou maior feliz! Tirar é muito fácil e eu já sei faz tempo, é só enganchar o dedo na argola da chupeta e puxar. Colocar também não é difícil, só tem que mirar bem a boca, esticar o bico e empurrar a chupeta com a mão.

Não sei por que a mamãe e o papai reclamam tanto de ter que colocar minha chupeta de volta de noite. É tão fácil!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Habemus Campeonatum

O Palmeiras foi muito gente fina e resolveu esperar os demais times chegarem para irem todos juntos até o final. Atlético-MG, Inter e São Paulo, gentlemen que são, também se quedaram à espera de Flamengo e Cruzeiro. Só o Goiás deu uma de furão e ficou pelo caminho.

Agora, arrependido mesmo deve estar o Mano Menezes, que jogou a toalha na 18ª rodada do Brasileiro. Na época, o Corinthians estava três pontos na frente do Cruzeiro...

P.S. - Por muito pouco não tivemos outro alinhamento cósmico na tabela de classificação. Caso o Inter ou o SPFC tivessem empatado e o Goiás tivesse ganho, teríamos uma escadinha de um ponto do 1º ao 7º lugar. Se bem que dessa vez, foi melhor não ter acontecido. Vai que a Globo usa isso de pretexto para a volta imediata dos mata-matas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Palmeiras Jaiminho

Todo ano, quando é divulgada a tabela do Brasileirão, eu faço uma mega-ultra-planilha no Excel com os jogos e uma classificação que atualiza automaticamente, permitindo simular os resultados. É uma coisa simples, rápida e profundamente desestressante. Mas eu divago.

A questão é que eu fiz uma série de simulações na minha mega-ultra-planilha e descobri o por quê do Palmeiras estar desinteressado dos pontos ultimamente: é para evitar a fadiga. Sim, pois se todos os seus adversários diretos perderam todos os seus jogos (menos os contra ele, Palmeiras) e empatarem nos confrontos diretos, o título vai para o Palestra Itália mesmo que o alvi-verde não faça mais nenhum gol! Claro que é possível, você não viu as últimas rodadas do campeonato?

A nação alviverde agora deve focar suas energias em secar os seus concorrentes e torcer por um empate toda vez que dois deles se enfrentarem. Algum desavisado pode até dizer que cansa mais sofrer em nove jogos do que em um só, mas eu lhe asseguro, caro desavisado, que isso é muito menos estressante que torcer para que o Obina erre a trave ou o Edmilson ganhe do Petkovic na corrida. Com toda certeza.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Capítulo 10

Ao checar a carteira, o homenzinho notou que só tinha mais um bilhete de metrô e se encaminhou à bilheteria para adquirir outro. De repente, ele parou, com um leve tremor no bigode e uma expressão anuviada no rosto. Longdon quase tropeçara em seu diminuto guia e, intrigado, procurou a causa dessa inesperada demonstração de emoção. Examinou com atenção a vending machine de livros de bolso bem na sua frente e, com sua perspicácia habitual, notou que o homenzinho parecia olhar fixamente para um livro chamado “Você é do Tamanho dos Seus Sonhos”. Realmente, o título era insensível e de extremo mau gosto. After all, pensou, quem tem mais direito aos grandes sonhos que os pequenos homens?

O homenzinho, no entanto, estava mais preocupado com o negão na fila da bilheteria, que conseguira ver pelo reflexo do vidro da vending machine. Pegou Longdon pelo braço e o arrastou em direção às catracas, tentando se misturar à massa. Chegando lá, empurrou o professor catraca adentro e passaram ambos com um só bilhete sem maiores incidentes, embora Longdon tenha ficado ligeiramente contrariado por ter sido ele a passar na frente.

O pequeno guia pegou novamente Longdon pelo braço e o conduziu para dentro da multidão. Estavam quase chegando à escada rolante que os levaria à plataforma de embarque quando ouviram alguém gritando “Ó lá os cara, china!”. Longdon olhou para trás e viu o negão apontando diretamente para eles. Aterrorizado, olhou para baixo e viu o trem parado na plataforma, desembarcando milhares de passageiros. Se pudessem pegá-lo, talvez conseguissem escapar!

Porém, na sua frente, uma multidão preenchia completamente as escadas, tanto a rolante quanto a normal, impedindo a passagem rápida. Se eles seguissem a fila, com certeza não conseguiriam embarcar. Seus perseguidores haviam passado da catraca e se aproximavam cada vez mais. O negão abria caminho no meio da multidão como um tanque. Não parecia haver solução possível. O cérebro de Longdon maquinava furiosamente, mas até o momento, sua melhor idéia tinha sido gritar “Piques!” e encostar na parede. Já estava a ponto de colocá-la em prática quando o homenzinho pegou sua mala, colocou-a no corrimão e pulou em cima, acenando para que ele o seguisse.

Os dois escorregaram corrimão abaixo como se fosse um tobogã e aterrissaram ao lado da lata de lixo. Ainda meio atordoado, Longdon viu que as pessoas na plataforma começavam a entrar no vagão. Olhando para cima, viu que seus perseguidores tinham acabado de chegar no alto da escada e se preparavam para escorregar também. Longdon pegou sua mala e correu atrás do homenzinho em direção ao trem.

Estavam no meio do caminho quando viram as portas começando a se fechar. Atrás deles, um barulho metálico indicava que seus perseguidores já haviam escorregado e derrubado a mesma lata de lixo na aterrissagem. Sentindo uma onda de pânico, Longdon arremessou sua mala em direção à porta, na esperança de travá-la aberta como nos filmes do Jet Li que ele tanto gostava. Contudo, um ligeiro erro de cálculo fez com que ela se esborrachasse no chão do vagão, se abrindo e espalhando suas roupas, livros e objetos pessoais em cima dos outros passageiros.

Os dois entraram no trem logo depois da mala, esbaforidos. As portas estavam quase fechadas e seus perseguidores ainda estavam alguns metros atrás. Longdon estava com o coração na boca, mas exultava. Tinham conseguido! E quando ele pensava finalmente estar em segurança, o negão deu um carrinho em direção à porta e conseguiu travá-la com o pé! Deixando de lado sua dignidade de professor de Harvard, Longdon se agachou e, em um esforço sobre-humano, tentou empurrar aquele Nike Shox tamanho 46 de volta pela fresta da porta.

Foi uma luta hercúlea, Longdon contra o pé do negão. Pela fresta, em meio às gotas de suor que brotavam profusamente em seu rosto, ele viu seu inimigo estendendo a mão para dentro do casaco em busca da arma. A esperança começava a abandonar o pacato professor, quando o homenzinho pegou uma saboneteira do Boston Red Sox que havia caído da mala e a atirou porta afora, acertando a testa do negão. Inspirado por tão certeiro arremesso, que o lembrou de seus gloriosos dias de quinto reserva no Harvard Baseball Team, nosso herói empurrou o agora flácido pé para fora e desabou de costas para a porta, sem fôlego.

Lentamente, o trem começou a acelerar, deixando para trás a estação Tietê do metrô.

domingo, 18 de outubro de 2009

Diário da Lui - 18/10

Hoje, a mamãe veio me dizer que eu ia conhecer a prima Julia, que morava lá no Longe. Achei que a mamãe estava ficando meio doida. Eu conheço a prima Julia que mora lá no Longe desde o dia em que eu nasci! Ela é bochechuda, tem olhos pretos igual às listras do Tigrão, um monte de cabelo e vive sorrindo.

Só que essa era diferente: loira, cabelo curto, olhos cor de mel e muito séria (acho que era porque ela tinha acabado de acordar). Eu tentei avisar a mamãe que aquela não era a prima Julia que mora no Longe - acho que ela não me entendeu, mas tudo bem - até que me explicaram que era outra Julia, de Outro Longe, mas que também era minha prima. Daí eu fiquei pensando: será que existe outra Luiza aqui no Perto? Ou será que tem Outro Perto?

Muito confuso isso.